sábado, 16 de janeiro de 2010

tertúlias, literatura e WC

Há quem se surpreenda com a emergência de tantas jovens “escritoras” e tantas publicações de lavra feminina nos escaparates das livrarias. Apenas compreendo este espanto se for proveniente de alguém que não frequente WCs femininos em escolas, universidades, cafés, áreas de serviço de norte a sul do país. Talvez apenas as mulheres possam compreender de que falo…Na maior parte das vezes em que uma mulher se desloca a uma casa de banho é brindada com portas repletas de frases de auto (e hetero) ajuda, pérolas da sabedoria popular adaptadas ou não, rimas à moda de António Aleixo, poemas plagiados ou recriados pelas próprias, declarações de amor e paixão tresloucadas capazes de nos fazer corar perante a pequenez dos nossos sentimentos.Desta forma, as casas de banho das senhoras tornam-se em locais de enriquecimento cultural e potenciais promotores de profunda reflexão. Para além de discussões filosóficas sobre o rímel, o blush ou o eyeliner, podem aí desenrolar-se autênticas tertúlias literárias.Tenho a certeza de que há muita gente que nunca concluiu a leitura de um livro, nem mesmo de uma revista, não entrando para as estatísticas de leitores assíduos, e já leu dezenas ou talvez centenas de portas de WC… quem sabe até colaborou deixando um dos comentários opinativos ou contestatários que também por lá se encontram em abundância…Considero, por isso, que as portas de WC não deveriam continuar a ser ostracizadas pela população em geral. Se existe o dia mundial do livro ou o dia internacional do livro infantil por que razão não se assinala, também, o dia da literatura das portas de WC? Seria muito menos elitista e mais próximo do país real.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

da 7ª arte

Durante grande parte do filme, tive a sensação de estar a assistir a um documentário sobre a integração (ou a sua ausência) da comunidade magrebina em França. Sente-se a crítica a uma sociedade preconceituosa, à política e ao excesso de burocracia. Por outro lado, e apesar da existência de problemas, como aliás sucede em todas as famílias, sente-se o amor e carinho que transbordam na família de Slimane e que reúnem todos os seus elementos à volta de um objectivo comum: abrir um restaurante tunisino num barco. Este filme teve a capacidade de me envolver na sua história e de me fazer ter vontade de poder colaborar para a concretização do sonho da família.
Quando o filme terminou, tive dificuldade em cortar o elo de ligação que havia estabelecido; deitei-me triste e a pensar que a vida é, por vezes, muito injusta.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tenho quase a certeza de que é intencional…

Há, por vezes, pessoas que sem conhecerem o meu gosto me fazem ofertas de objectos que considero muito pessoais, como acontece com os perfumes (com os quais sou terrivelmente esquisita), ou que sabendo que eu gosto de literatura me oferecem livros da Margarida Rebelo Pinto. Não se limitam a oferecer e aguardar por um agradecimento e um sorriso. Indagam; querem saber se gosto e, mesmo após obterem uma confirmação que com educação e esforço consigo simular, insistem. Apresentam as razões da escolha, relatam as hesitações e continuam a solicitar o meu agrado pela bela oferta, tornando muito mais dolorosa a árdua tarefa de mentir por simpatia. Não prometo que um destes dias não desista de desempenhar o papel de boa menina a meio da minha representação, quiçá (?!) para gáudio da pessoa que me presenteou.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Bom dia, a si e ao vasto auditório!

Por vezes ouço os fóruns matinais da TSF ou Antena 1. Creio que também os há noutras estações de rádio e não sei se ainda continua o da SIC Notícias… Provavelmente existirá esse e outros que desconheço. Li, em tempos, que era moda que se tinha espalhado facilmente, pois os portugueses tinham aderido com bastante entusiasmo. Assim será, de facto.Ouvir estes fóruns desperta-me vários sentimentos que vão desde o divertimento à irritação, passando por vezes pela admiração ou indignação. Continuo a surpreender-me quando escuto pessoas que fazem questão de ser ouvidas durante alguns minutos por um número, que suponho, elevado de ouvintes, mas que não acrescentam absolutamente nada ao tema que está a ser discutido. Parece que o fazem pela simples, e nada modesta, razão de gostarem de se ouvir. Quase fico intimidada com os que se exaltam e começam a gritar nervosamente relatando situações pessoais ou proferindo insultos. Há os que escrevem previamente um texto que passam a ler, com maior ou menor expressividade, ou os que parecem ansiosos para mostrar as suas qualidades poéticas e escrevem o dito texto em verso, o que pretenderá certamente fazer jus ao nosso pequeno país de poetas. Também os há que exprimem a sua opinião, que mais não é do que uma opinião entre outras, como se se tratasse de uma verdade inquestionável. Ou os que querem parecer detentores de um qualquer segredo que não podem revelar, mas eles lá sabem e podem garantir que estão em posse de factos inegáveis. Há os que ficam eufóricos porque estão na rádio e só depois de muitas chamadas de atenção assentem, contrariados, a desligar o aparelho radiofónico lá de casa onde se escutavam deliciados enquanto dissertavam sobre o tema em discussão nessa manhã ou outro qualquer de há dois programas ou duas semanas… que importa? Não nego que há intervenções pertinentes e esclarecedoras ou que, simplesmente, pretendem transmitir opiniões fundamentadas, mas apresentando-as apenas como aquilo que são: opiniões. No entanto, o que me fica quase sempre que escuto um destes fóruns é o espanto perante a existência de tantos génios que se mantêm escondidos e inactivos, tendo em contas os nossos baixos índices de produtividade, e que apenas despertam nestas manhãs de discussão pública aparecendo cheios de dinamismo, inteligência e ideias brilhantes para depois voltarem a hibernar até que consigam novamente ter uns minutos de antena para falarem, directamente, ao vasto auditório.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

pais e filhos



Entristecem-me as crianças e adolescentes que ficam embaraçados quando estão acompanhados dos pais. E entristecem-me por duas razões: em alguns casos, fico contrangida com os pais que não sabem ouvir nem perguntar, que demonstram ignorar o filho que têm e que apenas se dedicam a denegrir a sua imagem comparando-os negativamente com os irmãos ou os vizinhos, que relatam a história das misérias da família como justificação para a sua displicência, que atendem o telemóvel sem pedir licença e desatam a dizer palavrões sem respeitar a presença de terceiros.

Noutros casos, sinto-me incomodada quando vejo adolescentes que ficam envergonhados com o aspecto humilde dos pais, tão diferentes dos das séries e telenovelas que idolatram, que os recriminam quando pedem esclarecimentos sobre algum pormenor que desconhecem ou quando referem que fazem um grande sacrifício para que os filhos tenham o futuro que eles não conseguiram alcançar. Estes pais costumam ter um olhar embevecido para os seus filhos que sabem muito mais do que eles e, invertendo completamente os papéis, acabam por lhes obedecer e não questionar mais para não continuarem a envergonhar os seus prodigiosos rebentos.



redes (anti-)sociais





- Vens connosco, hoje, jantar a casa da I.?

- Não, não posso. Vou passar a noite no Facebook.



(What?!?)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

lista de boas intenções (2)



4. Lutar contra a procrastinação.
5. Voltar a fotografar.

6. Ser mais activa no Postcrossing.


(em permanente actualização)




suspeitas in(f)undadas



Palpita-me que o S. Pedro tem um arranjinho qualquer com os vendedores de galochas… não vejo outra justificação para os litros de água que todos os dias lança cá para baixo.

Já não se aguenta!

domingo, 3 de janeiro de 2010

pois... é uma forma de ver as coisas...

(re)encontro(-me)

Depois destes doze fantásticos e relaxantes dias que passei acompanhada, soube-me muito bem conduzir sozinha durante duas horas, até à minha actual casa, e usufruir do silêncio. Talvez seja maldade e egoísmo, talvez seja falta de maturidade, mas é um facto que, apesar de estar numa cidade que nem aprecio e onde apenas tenho alguns colegas a quem ainda não me apetece chamar amigos, precisava de estar sozinha para me sentir de novo “eu”.

lista de boas intenções

  1. Andar mais de bicicleta.
  2. Retomar uma alimentação equilibrada.
  3. Ser mais presente: contactar com maior frequência alguns amigos.

(em permanente actualização)

sábado, 2 de janeiro de 2010

(des)coordenação e desejos

Sempre achei que a falta de coordenação que me fez desistir das aulas de aeróbica teriam outras implicações ainda mais comezinhas. Confirmo-o todos os fins de ano quando tento contar as doze badaladas ao mesmo tempo que como uma passa e me concentro em cada um dos doze desejos





a magia da passagem de ano com neve

O local era agradável. Aquele cantinho com lareira era aconchegante e propício aos jogos de cartas que eu, contrariamente a todas as expectativas, ganhei. O ambiente era simpático, a ceia generosa e a banda animada. Dançámos, rimos, conversámos, dissemos disparates e falámos de assuntos sérios. Fizemos planos para o ano que agora começou e para os próximos. Acertámos pormenores para a próxima viagem e recordámos as anteriores. Prometi ter mais fins-de-semana para nós. Tive a melhor companhia; a única com quem fazia sentido iniciar um novo ano.
E a neve? Ah!... pois… Havia muita. Era fria. E branca. Mas eu até nem gosto de neve…

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

confirmou-se...

Confirmou-se. Não sou disciplinada. Durante cinco meses o meu recém-nascido foi completamente abandonado e já nem me recordava do seu nome. Que é como quem diz, não me lembrava exactamente da sua designação nem da password para entrar na conta.

Confirmou-se. A voz do povo está certa. A aproximação do fim do ano leva-nos a reflectir, a (re)pensar e a fazer um balanço dos últimos 12 meses. Até nos provoca sentimentos de culpa pelo blogue há tanto esquecido.

Confirmou-se. Os amigos e os inimigos, os familiares, os colegas, os clientes do café que frequentamos, a vizinha do 3ºesquerdo e a do r/c frente, bem como o carteiro, a dona da padaria, o senhor do talho, o estafermo que nos ocupa sempre o lugar de estacionamento e todos os outros que nunca conseguiríamos enumerar estão certos. Nestes últimos dias do ano, todos fazemos planos e listas de boas intenções para o ano que se segue e que, se espera, será o “tal”, o de todas as concretizações. Até nos leva a prometer (cruzando os dedos) que iremos incluir o blogue nas nossas vidas.

E agora, com licença. Vou ali fazer umas malas para me preparar para a neve e volto em 2010.



segunda-feira, 6 de julho de 2009

dos amigos e outros demónios*


Comentei com alguns amigos que ia criar um blogue

- Tu?!?! Não és nada disciplinada! Como vais arranjar tempo e paciência para isso?
- É para os desabafos sobre a tese?
- Não me digas que é mais um daqueles blogues de
gajas sobre moda e amores!
- Não… deve ser para falar da paixão dos livros. Acertei!??!


NÃO! Não acertou ninguém! Quem decidiu que um blogue tem de ser apenas sobre um tema? O meu blogue não tem uma linha editorial definida! (Se ele continuar a existir) Será sobre tudo e sobre nada. Ligeiro e pesado. Fútil e intelectual. Colorido e Negro. Indisciplinado e com regras. Sério e brincalhão! Tal como eu.

Pelo menos fiquei a saber a ideia que os meus amigos têm de mim. Em poucas palavras, diria que me consideram uma chata :(









* brincadeirinha!

domingo, 5 de julho de 2009

dúvida existencial de elevadíssima importância:

Sou mulher, mas... detesto sapatos.
Haverá lugar para mim na blogosfera?