quinta-feira, 13 de maio de 2010

constatações (3)


No domingo, ouvi vários benfiquistas jurarem a pés juntos que, sendo o Benfica campeão, acabaria, imediatamente, a crise económica.

Hoje, todos os meios de comunicação social apresentam as novas medidas de austeridade para fazer frente à dita cuja.

Então, como é que é? É que eu já estava a fazer esforços para começar a achar o futebol um desporto simpático e útil e até considerava a hipótese de me tornar sócia do glorioso.

Alguém me anda a mentir....

domingo, 9 de maio de 2010

o fim-de-semana em números

Na Feira do Livro, passei metade do tempo previsto e gastei o dobro do que pretendia.
Em casa, trabalhei o dobro do que me apetecia e descansei metade do que precisava.
Nestes dois dias, namorei metade do que gostaria e demorei, a arrumar a casa, o dobro do tempo que tinha destinado. Só li metade do livro que pretendia terminar e comi o dobro do aconselhável.

Se não se registar uma inversão destes números, nos próximos dias, receio transformar-me numa velha gorda e rabugenta muito rapidamente.


quinta-feira, 6 de maio de 2010

publicidade gratuita (2)

Comprei o Erase Paste da Benefit, que as meninas da blogosfera consideram milagroso.
Aguardo, ansiosamente, o aparecimento de uma borbulha ou de umas olheiras dignas desse nome, para poder comprovar.
Há dias em que acordar com um aspecto perfeito é uma maçada ... :)


terça-feira, 4 de maio de 2010

A brincar, a brincar...



Neste momento, as minhas preferências informativas vão para o suplemento do Público, Inimigo Público, e para o programa radiofónico Portugalex, da Antena 1.

Posto isto, parece-me que posso deduzir que não ando a levar o mundo muito a sério...

prazeres

Adoro os livros que me provocam esta sensação de arrebatamento...


sexta-feira, 30 de abril de 2010

declaração de intenções

Alguém me informe, por favor, quando foi decretado que não se pode ir à praia com um biquíni da colecção do ano anterior.
A ver pelo desespero que, aos primeiros raios de sol, se apoderou do mulherio, parece-me que ir à praia envergando a indumentária que se usou no ano anterior é um crime público punível com chicotadas em pleno areal.
Eu correrei esse risco. Declaro que pretendo estender-me na minha toalha e pavonear-me junto ao mar com biquínis de 2009 e, quiçá, de anos anteriores. Acrescento que não pagarei coimas nem me responsabilizarei pelos danos que esse facto possa provocar nos olhos e sensibilidade estética das fashion victims ou alérgicos a colecções demodées. Como atenuante para qualquer eventualidade tenho o facto de esta medida estar contemplada no meu PEC pessoal (Plano para Evitar o Consumismo). Parafraseando o povo, “em tempos de crise, reciclam-se os trapos”.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

as crianças são o melhor do mundo (?!?)





Aluno 1 – A professora de Ciências já cá está.
Coro – Já?!?!?
Aluno 2 – Vamos portar-nos bué da mal para ela ficar pior da depressão, outra vez.
Coro – Ya, fixe!




quarta-feira, 21 de abril de 2010

desabafo de Quarta à tarde...




muitas vezes, canso-me de tanta embalagem e tão pouco conteúdo...*




* qualquer leitura literal será desadequada

quarta-feira, 14 de abril de 2010

IR(ritaçõe)S

Ou os testes psicotécnicos são o maior embuste de todos os tempos ou as minhas competências mudaram radicalmente. Pior. Perdi capacidades. Mais concretamente a capacidade de gostar e de executar eficazmente tarefas burocráticas e administrativas, pois preencher o meu IRS está a deixar-me à beira da loucura. E garanto que não é possível fazer aqui uma leitura positiva.
Senhor psicólogo, se eu tivesse seguido as suas orientações e tivesse enveredado pela área administrativa, como conseguiria eu enfrentar a falta de poesia dos impressos, modelos e documentação de toda a espécie?
Ainda bem que a adolescência é a fase de todas as recusas e que eu sempre gostei de ignorar as recomendações que me são apresentadas como verdades absolutas e caminho único para a felicidade.



sábado, 10 de abril de 2010

uma foto por dia, dá saúde e alegria (2)

Miradouro de São Pedro de Alcântara


sexta-feira, 9 de abril de 2010

bilhetes na mão...

... P16 e P17. Já cá cantam.

nada é tão improvável quanto parece...


Sou uma grande consumidora de gasóleo e, por isso, tenho cartões de todas as gasolineiras existentes. Há poucas semanas, perdi o cartão fastgalp com quase 4000 pontos. Perguntei se poderia pedir um cartão novo e recuperar os pontos antigos. Pedido negado. Cartão novo, vida nova… que é como quem diz, zero pontos. A esperança que me restava era que alguém o encontrasse e o entregasse num posto de abastecimento… Sim… pois… altamente improvável.
Hoje recebi uma carta da galp e, ainda antes de abrir, senti o cartão. Ó alegria!!! Os meus pontos de volta. Abri o envelope e não… não era o cartão antigo. Esse já expirou e enviaram-me o cartão de substituição com os meus pontinhos todos. Nunca um prazo de validade me pareceu tão simpático quanto este, tenho de admitir.





quinta-feira, 8 de abril de 2010

constatações (2)


Quando se é educada a pensar única e exclusivamente no dever, deixar a louça do almoço por lavar e ir para a esplanada ler um livro não é desleixo… é uma conquista.



quarta-feira, 7 de abril de 2010

uma foto por dia, dá saúde e alegria

Monsaraz

dó ré mi fá sol lá si

Quando vou para as aulas de guitarra há uma sensação de superioridade que me acompanha. Coloco a guitarra às costas e passeio-me pela rua, quase inchada de importância, sem perceber por que razão não sou abordada para distribuir autógrafos, qual estrela de rock & roll…
Não percebo que os transeuntes (gente vulgar que vagueia pelas ruas sem uma viola no saco e transportando as compras do Lidl ou do Minipreço) não fiquem fascinados comigo e não façam esforços inimagináveis para que eu partilhe com eles os meus vastíssimos conhecimentos musicais ou a magia das minhas composições.
Após seis aulas, noto que esta sensação tende a decrescer. O meu receio, agora, é que daqui por mais algumas aulas também eu considere banal passear-me com a viola às costas e que o passo seguinte seja o desaparecimento do meu fascínio pelo sol, o dó ou o fá (e que difícil que é este fá, senhores!!!)



quarta-feira, 31 de março de 2010

os profissionais do ombro amigo



Há um determinado tipo de seres acerca dos quais é muitas vezes dito serem generosos e disponíveis, pois estão sempre dispostos a ceder o seu ombro para aparar a lágrima alheia. Mas não o fazem desinteressadamente para ajudar os amigos, as pessoas por quem sentem algum afecto ou simplesmente por generosidade para com os (des)conhecidos. Não. Fazem-no por orgulho, para preencherem as suas vidas com as vidas dos outros, para se sentirem necessários, por quererem que os outros lhes reconheçam essa bondade que afinal não existe.Dedicam-se a esta tarefa de forma quase profissional e, muitas vezes, descuram aqueles que lhes estão próximos porque não estão dispostos a perder o seu tempo com acções que não lhes dêem a visibilidade que anseiam. Eu designo-os por profissionais do ombro amigo.Oferecem sempre os seus préstimos aos deprimidos crónicos, aos inseguros patológicos, aos infelizes com mania de perseguição, aos coleccionadores de infortúnios. E é com o mesmo afinco e algum desprezo e rancor que se afastam dos felizes, seguros e lutadores.Indignam-se com os optimistas, mas, sobretudo com os que, na sua perspectiva, reúnem as condições para adoptar uma postura do “coitadinho” e alugar o seu ombro por tempo indefinido e não o fazem.

Parecem-me abutres sempre à procura de presa e quando estão entre familiares e amigos, ou no almoço com os colegas, contam as suas glórias, que mais não são do que o reconto dos problemas dos outros, a enumeração dos conselhos que deram, das lágrimas que secaram, das palavras caridosas que proferiram, as horas dispensadas com o “coitado, se não fosse eu…

Fujo deles como o diabo da cruz e quando, inadvertidamente, deixo transparecer alguma tristeza ou preocupação e me aparece um destes profissionais disposto a oferecer os seus serviços gratuitos, procuro uma réstia de energia que me permita esboçar um sorriso e dizer “está tudo bem, é apenas cansaço”. E o abutre sem presa, após insistir um pouco para obter a confirmação, afasta-se amaldiçoando-me por não lhe ter permitido entrar em acção e aumentar o seu currículo quase-profissional.




terça-feira, 30 de março de 2010

constatações

Detesto enumerações.
Sou, por isso, acérrima defensora do et cetera e das reticências.



quinta-feira, 25 de março de 2010

E, acrescento eu, quem diz facebook diz blogues...

“… há cinco tipos de adição à rede: cibersexo, ciberrelacional, compulsão de rede, descargas e dependência de computadores. Os sintomas de perturbação FAD (Facebook Addiction Disorder) são semelhantes à adição à internet (…) Os doentes apresentam um certo desprezo pelas relações na vida real e entram constantemente no Facebook para ver as actualizações, no computador do trabalho, de casa ou no telemóvel.
Para testar o grau de adição ao Facebook, alguns grupos de apoio sugerem que se faça o teste. Mas há uma forma mais rápida de os testar: quantos dias consegue estar sem entrar na sua página? Se não aguentar sequer 24 horas, o mais provável é que a experiência na rede social esteja a ir longe demais.”


in Jornal i, nº 275, 25 de Março de 2010




segunda-feira, 22 de março de 2010

da 7ª arte (5) ou o elogio da mentira

Imaginemos um mundo onde todos dizem sempre a verdade; quando fazemos uma pergunta a resposta obtida é sempre verdadeira; não existe a dúvida e a noção de mentira é desconhecida. Perfeito? Não, terrível. Neste mundo sem mentira também não existe lugar para a criatividade e a imaginação, variantes positivas da mentira, nem para uma palavra de estímulo ou esperança para quem se encontra, aparentemente, num beco sem saída. Não podemos esquecer que a verdade e a crueldade, não raras vezes, estão muito próximas.
Este filme fez-me reflectir sobre a importância da mentira (num sentido mais lato, claro!) e pensar que, por vezes, somos fundamentalistas quando nos afirmamos totalmente contra toda e qualquer omissão ou mentira piedosa.

da 7ª arte (4)

Confesso: não sou apreciadora do cinema fantástico. No entanto, a Alice faz parte do nosso imaginário e o Johnny Depp é sempre o Johnny Depp. Valeu a pena.



quinta-feira, 18 de março de 2010

sabedoria (im)popular (3)

Não faças aos outros...


... o que eles não gostam que lhes façam.

Mia Couto

Ler Mia Couto é uma delícia. Demoro-me nas suas palavras e apetece-me ter sempre à mão um bloco e uma caneta para anotar muitas das suas frases que, além de revelarem um perfeito domínio da língua, expressam uma inteligência e sensibilidade raras.

"Velhice não é idade: é um cansaço. Quando ficamos velhos, todas as pessoas parecem iguais.", in Jesusalém

terça-feira, 9 de março de 2010

a preto e branco

Campo do Alentejo

segunda-feira, 8 de março de 2010

pois... os óscares...




Tenho de confessar que não vi nenhum dos filmes galardoados.

Na maior parte dos casos, nem vi os nomeados e nem me posso manifestar relativamente às escolhas.

E é caso para perguntar: onde é que eu me meti durante os fins-de-semana???

Dão -se alvíssaras a quem me souber informar.


domingo, 7 de março de 2010

há dias e dias

Não tenho nada contra a existência de dias disto, daquilo e do outro. Alguns servem para nos chamar a atenção para determinados temas ou situações específicas, outros nem por isso, mas, geralmente, não me incomodam. Algumas vezes, o que me incomoda é a forma como essas datas são festejadas e vivenciadas por nós. Um desses dias cuja comemoração me parece, quase sempre, disparatada é o dia internacional da mulher. Multiplicam-se por todo o lado palavras doces e elogiosas. As mulheres aparecem-nos como seres dotados de extrema beleza, sensualidade, altruísmo, sensibilidade e mais uma quantidade interminável de atributos. Elogiam-lhe a capacidade de ser, simultaneamente e de forma fantástica, mulheres, esposas, mães, profissionais, donas de casa e muito mais. Esses elogios são proferidos como verdades absolutas pelas mesmas vozes que frequentemente se referem a muitas mulheres como autênticos camafeus ou que gostam de assinalar a veia consumista e intriguista das mesmas. Ora, estas generalizações, sejam elas positivas ou negativas, irritam-me igualmente.
Parece-me artificial que se façam poemas e quadras, se ofereçam rosas, se organizem jantares como forma de enaltecer a mulher ou alertar para a situação precária em que muitas ainda vivem e nos restantes 364 dias do ano se aponte o dedo às mulheres com que nos cruzamos na rua e que, na azáfama diária, não arranjam as unhas, não cuidam do cabelo, compram a roupa na feira e não se preocupam com a lingerie ou com a celulite acumulada.
Penso que a homenagem possível é entender que nem todas têm possibilidade, tempo ou vontade de se apresentarem diariamente como actrizes de cinema ou manequins, pois para muitas mulheres a vida real está muito longe daquilo que se encontra nas revistas cor-de-rosa.

sábado, 6 de março de 2010

no aconchego do lar...


Está decidido! A visita ao CCB vai ser adiada para a próxima semana.
Itinerário para este fim-de-semana:
trabalho no escritório - descanso no sofá - trabalho no escritório - (repeat)….
…. com passagens pela cozinha.





Coração Independente, Joana Vasconcelos

quinta-feira, 4 de março de 2010

a morada, por favor

Quando me pedem a morada, hesito sempre.
Nunca sei qual das moradas devo indicar e começo a ponderar, seriamente, dar a matrícula do carro… seria muito mais seguro e honesto.




quarta-feira, 3 de março de 2010

da 7ª arte (3)


Delicioso, sobretudo na parte documental.
Um retrato do Portugal rural, desconhecido de tantos.

terça-feira, 2 de março de 2010

top 3

Durante muito tempo, pensei que a situação que melhor ilustrava como sou despistada e propícia a protagonizar figuras tristes era o dia em que levei o carro para o trabalho, mas, no regresso, me esqueci desse pormenor e regressei a casa, caminhando alegremente durante 30 minutos, e só me lembrando do local onde havia deixado o meu fantástico bólide, umas horas mais tarde, quando quase desesperava na rua com a bagagem para o fim-de-semana na mão.
Mais recentemente, abasteci quarenta euros de combustível numa área de serviço do norte do país e só no momento de efectuar o pagamento me apercebi de que tinha comigo a mala errada, não tendo, por isso, dinheiro, cartões ou documentos. Corei, gaguejei, atrapalhei-me e acho que fui convincente, pois consegui continuar a viagem com o compromisso de pagar na semana seguinte (o que, de facto, fiz). Só não me meti num buraco porque não encontrei nenhum e pensei que pior que isto não me poderia acontecer.
Nesta sexta-feira arrumei a bagagem com grande velocidade e coloquei-a no porta-bagagem; não havia tempo a perder! Guardei toda a bagagem. Todinha. Incluindo a chave do carro. A minha chave suplente encontrava-se a duzentos quilómetros de distância e apenas quatro horas mais tarde consegui tê-la na mão e iniciar, desta vez mais calmamente, o fim-de-semana.
Começa a tornar-se difícil escolher o meu melhor momento.



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

sabedoria (im)popular (2)

Vejo com quem andas...



... e sei quem finges ser.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

a vida sem internet, ou um pequeno contributo para o autoconhecimento

Contrariamente ao (por mim) esperado, não ressaquei nem passei por uma qualquer síndrome de abstinência por não ter internet em casa.
O regresso à era a.I. foi bastante pacífico e constatei que não sou viciada em blogues ou jornais online e muito menos em redes sociais, que não utilizo, ou jogos de estratégia, que desconheço.
Os momentos que me fizeram sentir a falta da World Wide Web estiveram sempre directamente relacionados com questões de trabalho.
Esta constatação deixou-me feliz e com uma sensação de liberdade, responsabilidade e equilíbrio… até ontem. Numa tentativa de recuperar o “tempo perdido”, passei mais de duas horas a abrir e a fechar páginas, sem fazer nada e desperdiçando tempo que me teria sido tão útil e necessário noutras actividades.
Conclusão: posso não ser viciada, mas não tenho capacidade de autocontrolo.

da 7ª arte (2)


Não me convenceu.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

telegrama

Semana infernal. Stop. Mais de 12 horas de trabalho por dia. Stop.
Placa de internet avariada. Stop.
Partida, amanhã, do aeroporto da Portela. Stop. Destino: Paris. Stop.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

tudo o que é demais...

A capa da Vanity Fair está a causar polémica por ter incluído apenas actrizes brancas na sua selecção de “actrizes que vão mandar em Hollywood nos próximos anos”.
Esta mania do politicamente correcto torna-se extremamente cansativa e… incorrecta.
Serei a única a considerar que se se estiver sempre a pensar em quotas para não ferir susceptibilidades, se está a ter uma atitude paternalista, nada prestigiante para as alegadas vítimas de discriminação e que quase roça a esmola?




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

sabedoria (im)popular

Não faças hoje...


... o que podes guardar para amanhã.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Tragicomédia em dois actos



Personagens: aluna, professora, director de turma, encarregada de educação.

Acto I

17h20m. Sala de aula.

A aluna afirma não ter telemóvel, mas, alguns minutos mais tarde, é apanhada a enviar mensagens. Após alguma resistência, a professora retira-lhe o telemóvel e entrega-o ao director de turma que informa, telefonicamente, a encarregada de educação. A mãe, detentora de cordas vocais invejáveis, mostra desagrado pela atitude da professora e do director de turma e avisa que, apesar de no corrente ano lectivo nunca ter tido tempo para ir à escola, estará na escola na manhã seguinte para reaver o telemóvel.

Acto II

08h20m. Porta da escola.

Gritaria, ameaças, insultos. Mensagem transmitida: a filha é dona do telemóvel e pode usá-lo quando e onde entender, ninguém tem nada a ver com isso. São rogadas pragas à professora, ao director de turma e às respectivas famílias até à terceira geração.

Epílogo provável

Num gabinete longínquo, afastado de tudo e de todos, um psicólogo americano observa o caso através da sua vasta experiência em estudos de caso no papel e afirma, num monólogo que durará ad eternum, que nesta peça existe uma personagem maquiavélica, insensível e irresponsável: a professora, que conta com a cumplicidade do director de turma, personagem também caracterizada por um desequilíbrio comportamental e desajustado da sociedade.


Peça em cena no palco de uma escola bem perto de si. Assisti à antestreia.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O tempo que não passa…


É incrível que o tempo passe por nós sem que nos apercebamos e só reparemos que ele passou pela imagem que recebemos dos outros.Lembro-me que quando era criança ouvia muitas vezes a minha avó, com idade já bastante avançada, afirmar “Aquela rapariga é da minha idade” ou “Há muito tempo que não via aquele rapaz”. Eu procurava-os com o olhar e surpreendia-me ao constatar que a rapariga ou o rapaz eram uma senhora ou um senhor com uma respeitável cabeleira branca, ou a ausência dela, e que tinha no rosto as marcas deixadas pelas experiências da vida.Mais tarde, observei que também os meus pais se referiam da mesma forma a pessoas que, não tendo ainda uma idade tão avançada, também estavam longe de ser o que eu considerava um rapaz ou uma rapariga. Para mim era muito estranho que eles não compreendessem que as pessoas a quem se referiam eram adultos! Eram os pais dos meus amigos e colegas da escola e esses sim eram rapazes e raparigas… como eu!Continuo a surpreender-me, mas já não com estes comentários. Agora surpreendo-me quando encontro rapazes e raparigas que foram meus colegas e verifico que dos meninos que eu conheci não restou nada além da cor dos olhos, do cabelo e algum gesto ou expressão. Agora são independentes, trabalham, formaram as suas famílias e muitos têm filhos. Os rapazes e as raparigas que brincavam comigo ou faziam tropelias na escola, agora são o bancário, o enfermeiro, o dono do café, o vendedor, o professor, o polícia, o advogado, o desempregado, o dentista, o mecânico ou o psicólogo…Colocaram de lado a bola, as bonecas e os carrinhos. Já não usam mochila e quando compram cadernos, lápis e borrachas são para os filhos e interessam-se pelo preço. Já não correm na rua ou quando o fazem não se divertem, fazem-no com um ar comprometido ou furioso e é apenas para não chegar tarde ao emprego ou para não perder o autocarro.Se me ocorre, em alguma circunstância, ser atendida por algum deles que não me reconhece trata-me por “senhora” e já não me tentam subornar para que os ajude nos testes em troca de lápis de colorir ou de uma pedra de forma irregular. Também já não discutimos para decidir quem tem o pai mais forte, o irmão mais chato ou a professora mais bonita.Sabem o valor do défice, o preço da gasolina e o valor da prestação da casa mas não sabem o nome de todas as bonecas, quantos carros vermelhos passaram na rua na última meia hora nem quantos tinham matrículas com capicuas. Já não dizem ser o Homem-Aranha, a Super-Mulher ou o Batman. Alguns até esqueceram tudo o que queriam ser de tão ocupados que estão e se alguém lhes lembrar, provavelmente, vão dizer que é um disparate, uma idiotice de quem não cresceu e vive preso a recordações de infância.Ganharam idade, ganharam poder, há quem diga que ganharam juízo. Tomam decisões, resolvem problemas, dão ordens fundamentadas por vezes, outras vezes apenas “porque sim” ou “porque não” como as que detestavam receber quando eram crianças. Alguns aprenderam técnicas infalíveis na arte de negociar ou seduzir e têm sucesso numa ou em ambas. Mas perderam a capacidade de se encantarem com uma gota teimosa que entra pela janela mal calafetada, com as poças de água nos dias de chuva ou com a lagarta verde que se passeia vagarosamente na folha de couve.Também eu cresci. Também eu não sou a menina que era… Somos todos adultos, mas para mim são, e continuarão a ser, o rapaz ou a rapariga que brincava no recreio ou no jardim. E, mesmo com o actual cabelo grisalho de alguns e com o futuro cabelo branco e mobilidade reduzida de todos, vê-los-ei sempre com um sorriso no olhar, a brincar e a correr pela vida fora.









confissões nocturnas

Após doze horas de trabalho, nada me poderia saber melhor do que um serão
no conforto do meu sofá e uma noite de cinema em casa.



Paris, Cédric Klapisch


sábado, 30 de janeiro de 2010

e já vamos quase em 2000 kms de festa


Eu divirto-me a inventar novos passeios de inauguração do carro novo.
As gasolineiras agradecem.
É bom quando todos ficamos felizes.






quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Os outros


Quem são os outros? São os teimosos. Os apáticos. Os incompreensivos. Os incompreensíveis. Os agressivos. Os lamechas. Os violentos. Os cobardes. Os ignorantes. Os que não conseguem entender nada. Os que pensam que entendem tudo. Os que pertencem a um clube que joga mal. Os que lutam por um partido que não defende os nossos interesses. Os ateus. Os fanáticos por uma religião que não responde às nossas questões. Os alienados. Os egoístas. Os defensores de causas perdidas. Os que amam demais. Os que não sabem amar. Os que se auto-elogiam. Os que nos cansam por serem derrotistas ou derrotados. Os que gostam de música sem qualidade. Os melómanos. Os que se deliciam com literatura light. Os que lêem livros indecifráveis. Os pessimistas. Os sonhadores. Os pedantes. Os incompetentes. Os que só vivem para o trabalho. Os que trabalham o mínimo possível. Os autoritários. Os submissos. Os maníacos das novas tecnologias. Os desajustados num mundo em franco progresso tecnológico. Os que fogem ao fisco. Os que são excessivamente cumpridores. Os condutores perigosos. Os que atrapalham o trânsito. Os que nunca se interrogam. Os que têm sempre dúvidas. Os que têm dívidas. Os que não sabem educar os filhos. Os que não querem ser pais. Os vegetarianos. Os defensores de alimentação biológica. Os amantes de fast-food. Os avessos a pratos exóticos. Os que só pensam em trocar de carro. Os que demoram o triplo do tempo a chegar ao emprego de autocarro. Os cravas. Os demasiado liberais. Os excessivamente conservadores. Os que têm o mesmo estilo a vida toda. Os que não conseguem decidir que estilo adoptar. Os maníacos do desporto. Os sedentários que não saem do sofá. Os amantes da TV e das pantufas enxadrezadas. Os faladores incansáveis. Os silenciosos incorrigíveis. Os contadores compulsivos de anedotas. Os que não têm sentido de humor. Os imigrantes. Os xenófobos. Os corruptos. Os que conseguem o emprego por cunha. Os empresários. Os desempregados. Os que nos bajulam. Os que não nos admiram.Quem são os outros?São os culpados por tudo o que de negativo nos acontece ou acontece à nossa volta.
Por culpa deles há miséria, há violência, há acidentes na estrada e no trabalho, há desemprego e recessão económica.
Quem são os outros? São os que estão errados porque, naturalmente, nós temos sempre razão.

domingo, 24 de janeiro de 2010

publicidade gratuita

Sem dúvida, a 8ª maravilha do mundo!



Brownie Explosion - Häagen-Dazs

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

monotonia à vista



No mesmo dia, fiz a defesa da minha tese e entregaram-me o meu carro novo.
Parece-me que nas próximas semanas não vou ter nada que me deixe em pulgas.
Pffffff! Prevejo dias muito chatos!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

os mentirosos, esses malandros


Para quem pensa que a existência de mentirosos compulsivos é um mito urbano, lamento informar que existem mesmo. Sou testemunha. A minha melhor amiga de infância e início de adolescência era mentirosa compulsiva, mentia a propósito de coisas importantes ou completamente insignificantes, mentia aos adultos e às crianças, às pessoas de quem gostava e também às que detestava, mentia para se sobrevalorizar ou para se desvalorizar, umas vezes para parecer mais rica e/ou inteligente e outras vezes com o objectivo contrário, umas vezes para parecer aventureira e outras medricas, umas vezes para que gostassem dela e outras para que a desprezassem. Durante anos, nada disso abalava a nossa amizade. Éramos inseparáveis, eu sabia quando mentia e quando falava a verdade e gostava dela em ambas as situações. Aguentei ao seu lado a risada geral quando era apanhada nas suas patranhas, fiquei com ela quando não a convidavam para alguma festinha devido às suas mentiras. Quando começámos a frequentar o ensino secundário em escolas diferentes, comecei a questionar-me sobre a vercidade do que me contava. Natural e gradualmente, começámos a afastar-nos e neste momento apenas enviamos, por mail ou num telefonema breve, votos de feliz Natal ou feliz aniversário.
Tenho, actualmente, um colega de trabalho com quem simpatizo bastante e com quem me pareceu poder vir a estabelecer algo parecido com uma amizade, que também me parece mentiroso compulsivo. Já lhe detectei algumas mentiras e exactamente com as mesmas características que as da A. Verifico, contudo, que a minha boa vontade de infância desapareceu e não tenho qualquer interesse em voltar a ser amiga de um mentiroso compulsivo. Acho o Pinóquio muito engraçado, mas não ao ponto de sermos amiguinhos.


sábado, 16 de janeiro de 2010

tertúlias, literatura e WC

Há quem se surpreenda com a emergência de tantas jovens “escritoras” e tantas publicações de lavra feminina nos escaparates das livrarias. Apenas compreendo este espanto se for proveniente de alguém que não frequente WCs femininos em escolas, universidades, cafés, áreas de serviço de norte a sul do país. Talvez apenas as mulheres possam compreender de que falo…Na maior parte das vezes em que uma mulher se desloca a uma casa de banho é brindada com portas repletas de frases de auto (e hetero) ajuda, pérolas da sabedoria popular adaptadas ou não, rimas à moda de António Aleixo, poemas plagiados ou recriados pelas próprias, declarações de amor e paixão tresloucadas capazes de nos fazer corar perante a pequenez dos nossos sentimentos.Desta forma, as casas de banho das senhoras tornam-se em locais de enriquecimento cultural e potenciais promotores de profunda reflexão. Para além de discussões filosóficas sobre o rímel, o blush ou o eyeliner, podem aí desenrolar-se autênticas tertúlias literárias.Tenho a certeza de que há muita gente que nunca concluiu a leitura de um livro, nem mesmo de uma revista, não entrando para as estatísticas de leitores assíduos, e já leu dezenas ou talvez centenas de portas de WC… quem sabe até colaborou deixando um dos comentários opinativos ou contestatários que também por lá se encontram em abundância…Considero, por isso, que as portas de WC não deveriam continuar a ser ostracizadas pela população em geral. Se existe o dia mundial do livro ou o dia internacional do livro infantil por que razão não se assinala, também, o dia da literatura das portas de WC? Seria muito menos elitista e mais próximo do país real.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

da 7ª arte

Durante grande parte do filme, tive a sensação de estar a assistir a um documentário sobre a integração (ou a sua ausência) da comunidade magrebina em França. Sente-se a crítica a uma sociedade preconceituosa, à política e ao excesso de burocracia. Por outro lado, e apesar da existência de problemas, como aliás sucede em todas as famílias, sente-se o amor e carinho que transbordam na família de Slimane e que reúnem todos os seus elementos à volta de um objectivo comum: abrir um restaurante tunisino num barco. Este filme teve a capacidade de me envolver na sua história e de me fazer ter vontade de poder colaborar para a concretização do sonho da família.
Quando o filme terminou, tive dificuldade em cortar o elo de ligação que havia estabelecido; deitei-me triste e a pensar que a vida é, por vezes, muito injusta.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tenho quase a certeza de que é intencional…

Há, por vezes, pessoas que sem conhecerem o meu gosto me fazem ofertas de objectos que considero muito pessoais, como acontece com os perfumes (com os quais sou terrivelmente esquisita), ou que sabendo que eu gosto de literatura me oferecem livros da Margarida Rebelo Pinto. Não se limitam a oferecer e aguardar por um agradecimento e um sorriso. Indagam; querem saber se gosto e, mesmo após obterem uma confirmação que com educação e esforço consigo simular, insistem. Apresentam as razões da escolha, relatam as hesitações e continuam a solicitar o meu agrado pela bela oferta, tornando muito mais dolorosa a árdua tarefa de mentir por simpatia. Não prometo que um destes dias não desista de desempenhar o papel de boa menina a meio da minha representação, quiçá (?!) para gáudio da pessoa que me presenteou.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Bom dia, a si e ao vasto auditório!

Por vezes ouço os fóruns matinais da TSF ou Antena 1. Creio que também os há noutras estações de rádio e não sei se ainda continua o da SIC Notícias… Provavelmente existirá esse e outros que desconheço. Li, em tempos, que era moda que se tinha espalhado facilmente, pois os portugueses tinham aderido com bastante entusiasmo. Assim será, de facto.Ouvir estes fóruns desperta-me vários sentimentos que vão desde o divertimento à irritação, passando por vezes pela admiração ou indignação. Continuo a surpreender-me quando escuto pessoas que fazem questão de ser ouvidas durante alguns minutos por um número, que suponho, elevado de ouvintes, mas que não acrescentam absolutamente nada ao tema que está a ser discutido. Parece que o fazem pela simples, e nada modesta, razão de gostarem de se ouvir. Quase fico intimidada com os que se exaltam e começam a gritar nervosamente relatando situações pessoais ou proferindo insultos. Há os que escrevem previamente um texto que passam a ler, com maior ou menor expressividade, ou os que parecem ansiosos para mostrar as suas qualidades poéticas e escrevem o dito texto em verso, o que pretenderá certamente fazer jus ao nosso pequeno país de poetas. Também os há que exprimem a sua opinião, que mais não é do que uma opinião entre outras, como se se tratasse de uma verdade inquestionável. Ou os que querem parecer detentores de um qualquer segredo que não podem revelar, mas eles lá sabem e podem garantir que estão em posse de factos inegáveis. Há os que ficam eufóricos porque estão na rádio e só depois de muitas chamadas de atenção assentem, contrariados, a desligar o aparelho radiofónico lá de casa onde se escutavam deliciados enquanto dissertavam sobre o tema em discussão nessa manhã ou outro qualquer de há dois programas ou duas semanas… que importa? Não nego que há intervenções pertinentes e esclarecedoras ou que, simplesmente, pretendem transmitir opiniões fundamentadas, mas apresentando-as apenas como aquilo que são: opiniões. No entanto, o que me fica quase sempre que escuto um destes fóruns é o espanto perante a existência de tantos génios que se mantêm escondidos e inactivos, tendo em contas os nossos baixos índices de produtividade, e que apenas despertam nestas manhãs de discussão pública aparecendo cheios de dinamismo, inteligência e ideias brilhantes para depois voltarem a hibernar até que consigam novamente ter uns minutos de antena para falarem, directamente, ao vasto auditório.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

pais e filhos



Entristecem-me as crianças e adolescentes que ficam embaraçados quando estão acompanhados dos pais. E entristecem-me por duas razões: em alguns casos, fico contrangida com os pais que não sabem ouvir nem perguntar, que demonstram ignorar o filho que têm e que apenas se dedicam a denegrir a sua imagem comparando-os negativamente com os irmãos ou os vizinhos, que relatam a história das misérias da família como justificação para a sua displicência, que atendem o telemóvel sem pedir licença e desatam a dizer palavrões sem respeitar a presença de terceiros.

Noutros casos, sinto-me incomodada quando vejo adolescentes que ficam envergonhados com o aspecto humilde dos pais, tão diferentes dos das séries e telenovelas que idolatram, que os recriminam quando pedem esclarecimentos sobre algum pormenor que desconhecem ou quando referem que fazem um grande sacrifício para que os filhos tenham o futuro que eles não conseguiram alcançar. Estes pais costumam ter um olhar embevecido para os seus filhos que sabem muito mais do que eles e, invertendo completamente os papéis, acabam por lhes obedecer e não questionar mais para não continuarem a envergonhar os seus prodigiosos rebentos.



redes (anti-)sociais





- Vens connosco, hoje, jantar a casa da I.?

- Não, não posso. Vou passar a noite no Facebook.



(What?!?)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

lista de boas intenções (2)



4. Lutar contra a procrastinação.
5. Voltar a fotografar.

6. Ser mais activa no Postcrossing.


(em permanente actualização)




suspeitas in(f)undadas



Palpita-me que o S. Pedro tem um arranjinho qualquer com os vendedores de galochas… não vejo outra justificação para os litros de água que todos os dias lança cá para baixo.

Já não se aguenta!

domingo, 3 de janeiro de 2010

pois... é uma forma de ver as coisas...

(re)encontro(-me)

Depois destes doze fantásticos e relaxantes dias que passei acompanhada, soube-me muito bem conduzir sozinha durante duas horas, até à minha actual casa, e usufruir do silêncio. Talvez seja maldade e egoísmo, talvez seja falta de maturidade, mas é um facto que, apesar de estar numa cidade que nem aprecio e onde apenas tenho alguns colegas a quem ainda não me apetece chamar amigos, precisava de estar sozinha para me sentir de novo “eu”.

lista de boas intenções

  1. Andar mais de bicicleta.
  2. Retomar uma alimentação equilibrada.
  3. Ser mais presente: contactar com maior frequência alguns amigos.

(em permanente actualização)

sábado, 2 de janeiro de 2010

(des)coordenação e desejos

Sempre achei que a falta de coordenação que me fez desistir das aulas de aeróbica teriam outras implicações ainda mais comezinhas. Confirmo-o todos os fins de ano quando tento contar as doze badaladas ao mesmo tempo que como uma passa e me concentro em cada um dos doze desejos





a magia da passagem de ano com neve

O local era agradável. Aquele cantinho com lareira era aconchegante e propício aos jogos de cartas que eu, contrariamente a todas as expectativas, ganhei. O ambiente era simpático, a ceia generosa e a banda animada. Dançámos, rimos, conversámos, dissemos disparates e falámos de assuntos sérios. Fizemos planos para o ano que agora começou e para os próximos. Acertámos pormenores para a próxima viagem e recordámos as anteriores. Prometi ter mais fins-de-semana para nós. Tive a melhor companhia; a única com quem fazia sentido iniciar um novo ano.
E a neve? Ah!... pois… Havia muita. Era fria. E branca. Mas eu até nem gosto de neve…