
domingo, 13 de junho de 2010
continuando...
O que disse para os filmes é igualmente válido para os livros. Por confessa incapacidade para escrever palavras tão certeiras, aqui uma bela crónica de João Gobern sobre Os Íntimos, de Inês Pedrosa.
(crónica de 2010-05-31: "Ò diabo já me viram")
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Gostaste?
Detesto ver um filme com pessoas que, ainda os créditos estão a passar, me perguntam sofregamente “Então, o que achaste?”
Preciso de algum tempo para digerir. Não gosto de filmes de efeito instantâneo: ver, opinar e já está. Sou incapaz de participar em tertúlias, grupos de discussão, ou seja lá o que for, que consistam em assistir a um filme e, em seguida, comentar ou discutir em conjunto aquilo a que se assistiu.
Prefiro, de longe, ouvir ou tecer um comentário sobre um filme, uma cena ou uma personagem numa situação inesperada, a meio de uma qualquer conversa, a propósito de uma história que faça recordar o mesmo. Por vezes, a partir destes breves momentos, descubro afinidades que me pareciam muito improváveis .
Uma breve troca de palavras num momento pouco oportuno ao seu desenvolvimento pode servir de mote para uma longa e interessante conversa sem hora marcada e sem guião.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Os Direitos Inalienáveis do Blogger*
1. O direito de ter (ou não) um blogue.
2. O direito de passar dias, semanas ou meses sem postar.
3. O direito de não dar continuidadade ao blogue.
4. O direito de reeditar posts anteriormente publicados.
5. O direito de postar não importa o quê.
6. O direito de criar uma personagem e/ou existência fictícia(s).
7. O direito de saltar de tema em tema.
8. O direito de ter temas-tabu.
9. O direito de publicitar, ou não, o seu blogue.
10. O direito de não querer falar sobre o que se postou.
* adaptação (muito) livre dos Direitos Inalienáveis do Leitor, de Daniel Pennac
2. O direito de passar dias, semanas ou meses sem postar.
3. O direito de não dar continuidadade ao blogue.
4. O direito de reeditar posts anteriormente publicados.
5. O direito de postar não importa o quê.
6. O direito de criar uma personagem e/ou existência fictícia(s).
7. O direito de saltar de tema em tema.
8. O direito de ter temas-tabu.
9. O direito de publicitar, ou não, o seu blogue.
10. O direito de não querer falar sobre o que se postou.
* adaptação (muito) livre dos Direitos Inalienáveis do Leitor, de Daniel Pennac
quarta-feira, 9 de junho de 2010
ainda os biquínis
Admito que se trate de uma paranóia geograficamente delimitada, mas a febre dos biquínis regressou. Desta vez, ouvi recorrentemente as lamentações das colegas devido à impossibilidade de poderem desfilar com as suas recentes aquisições. Ainda por cima, (imagina tu, que horror!) biquínis caríssimos, porque os anos passam e o corpo já não é o que era há dois ou três anos. Agora é preciso investir num bom biquíni que disfarce as imperfeições da idade.
Eu juro que não percebo, mas partindo do princípio que toda a gente chama biquíni ao mesmo que eu, não consigo imaginar esses biquínis caros e maravilhosos (e milagrosos, atrevo-me a a acrescentar) que escondem celulite, gordura localizada e outras marcas e transformam um qualquer camafeu numa miss universo.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
publicidade gratuita (3) (e não intencional, devo acrescentar)
Ontem tirei a bicicleta da arrecadação. Limpei-lhe o pó, verifiquei a pressão dos pneus e testei os travões.
Hoje a Time Out sugere percursos para andar de bicicleta na cidade.
Acho que o universo está a conspirar para que eu, finalmente, recomece a pedalar e nós não devemos contrariar os sinais.

quarta-feira, 26 de maio de 2010
rosa dos ventos
Já trabalhei e vivi no norte, no centro e no sul. Em cidades grandes, médias ou terreolas quase perdidas no meio de nada. No litoral e no interior. Em todos os locais conheci pessoas inteligentes, cultas, generosas, sofisticadas, modernas, informadas e também imbecis, broncos, egoístas, gente mesquinha e com mentalidade retrógrada.
Em qualquer das terras, tive o desprazer de conhecer preconceituosos que pensam que, para além dos limites da sua freguesia, os outros só lhe merecem desprezo ou escárnio: os da cidade olham com sobranceria para os coitados da santa terrinha; os das zonas rurais gozam com os citadinos que pensam que só existem galinhas no aviário ou que os morangos nascem nos supermercados; os do norte pensam que os alentejanos usam sempre a samarra e estão sempre a descansar; os do sul gozam com os do norte por não saberem falar… E as alarvidades continuam…
E eu que nunca tive (mas cada vez tenho menos) paciência para essas tretas, dou por mim a ter acesas discussões defendendo ora uns, ora outros, numa tentativa de desmistificar estas idiotices. Haja paciência!
E eu que nunca tive (mas cada vez tenho menos) paciência para essas tretas, dou por mim a ter acesas discussões defendendo ora uns, ora outros, numa tentativa de desmistificar estas idiotices. Haja paciência!

terça-feira, 18 de maio de 2010
uma imagem vale mais que mil palavras
World Press Photo 2010
(Museu da Electricidade)
http://www.worldpressphoto.org/
Imperdível. Sobretudo porque, às vezes, precisamos de levar um murro no estômago...
quinta-feira, 13 de maio de 2010
constatações (3)
No domingo, ouvi vários benfiquistas jurarem a pés juntos que, sendo o Benfica campeão, acabaria, imediatamente, a crise económica.
Hoje, todos os meios de comunicação social apresentam as novas medidas de austeridade para fazer frente à dita cuja.
Então, como é que é? É que eu já estava a fazer esforços para começar a achar o futebol um desporto simpático e útil e até considerava a hipótese de me tornar sócia do glorioso.
Alguém me anda a mentir....

domingo, 9 de maio de 2010
o fim-de-semana em números
Na Feira do Livro, passei metade do tempo previsto e gastei o dobro do que pretendia.
Em casa, trabalhei o dobro do que me apetecia e descansei metade do que precisava.
Nestes dois dias, namorei metade do que gostaria e demorei, a arrumar a casa, o dobro do tempo que tinha destinado. Só li metade do livro que pretendia terminar e comi o dobro do aconselhável.
Em casa, trabalhei o dobro do que me apetecia e descansei metade do que precisava.
Nestes dois dias, namorei metade do que gostaria e demorei, a arrumar a casa, o dobro do tempo que tinha destinado. Só li metade do livro que pretendia terminar e comi o dobro do aconselhável.
Se não se registar uma inversão destes números, nos próximos dias, receio transformar-me numa velha gorda e rabugenta muito rapidamente.

quinta-feira, 6 de maio de 2010
publicidade gratuita (2)
terça-feira, 4 de maio de 2010
A brincar, a brincar...
Neste momento, as minhas preferências informativas vão para o suplemento do Público, Inimigo Público, e para o programa radiofónico Portugalex, da Antena 1.
Posto isto, parece-me que posso deduzir que não ando a levar o mundo muito a sério...

sexta-feira, 30 de abril de 2010
declaração de intenções
Alguém me informe, por favor, quando foi decretado que não se pode ir à praia com um biquíni da colecção do ano anterior.
A ver pelo desespero que, aos primeiros raios de sol, se apoderou do mulherio, parece-me que ir à praia envergando a indumentária que se usou no ano anterior é um crime público punível com chicotadas em pleno areal.
Eu correrei esse risco. Declaro que pretendo estender-me na minha toalha e pavonear-me junto ao mar com biquínis de 2009 e, quiçá, de anos anteriores. Acrescento que não pagarei coimas nem me responsabilizarei pelos danos que esse facto possa provocar nos olhos e sensibilidade estética das fashion victims ou alérgicos a colecções demodées. Como atenuante para qualquer eventualidade tenho o facto de esta medida estar contemplada no meu PEC pessoal (Plano para Evitar o Consumismo). Parafraseando o povo, “em tempos de crise, reciclam-se os trapos”.
A ver pelo desespero que, aos primeiros raios de sol, se apoderou do mulherio, parece-me que ir à praia envergando a indumentária que se usou no ano anterior é um crime público punível com chicotadas em pleno areal.
Eu correrei esse risco. Declaro que pretendo estender-me na minha toalha e pavonear-me junto ao mar com biquínis de 2009 e, quiçá, de anos anteriores. Acrescento que não pagarei coimas nem me responsabilizarei pelos danos que esse facto possa provocar nos olhos e sensibilidade estética das fashion victims ou alérgicos a colecções demodées. Como atenuante para qualquer eventualidade tenho o facto de esta medida estar contemplada no meu PEC pessoal (Plano para Evitar o Consumismo). Parafraseando o povo, “em tempos de crise, reciclam-se os trapos”.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
as crianças são o melhor do mundo (?!?)
Aluno 1 – A professora de Ciências já cá está.
Coro – Já?!?!?
Aluno 2 – Vamos portar-nos bué da mal para ela ficar pior da depressão, outra vez.
Coro – Ya, fixe!
quarta-feira, 21 de abril de 2010
desabafo de Quarta à tarde...
quarta-feira, 14 de abril de 2010
IR(ritaçõe)S
Ou os testes psicotécnicos são o maior embuste de todos os tempos ou as minhas competências mudaram radicalmente. Pior. Perdi capacidades. Mais concretamente a capacidade de gostar e de executar eficazmente tarefas burocráticas e administrativas, pois preencher o meu IRS está a deixar-me à beira da loucura. E garanto que não é possível fazer aqui uma leitura positiva.
Senhor psicólogo, se eu tivesse seguido as suas orientações e tivesse enveredado pela área administrativa, como conseguiria eu enfrentar a falta de poesia dos impressos, modelos e documentação de toda a espécie?
Ainda bem que a adolescência é a fase de todas as recusas e que eu sempre gostei de ignorar as recomendações que me são apresentadas como verdades absolutas e caminho único para a felicidade.
Senhor psicólogo, se eu tivesse seguido as suas orientações e tivesse enveredado pela área administrativa, como conseguiria eu enfrentar a falta de poesia dos impressos, modelos e documentação de toda a espécie?
Ainda bem que a adolescência é a fase de todas as recusas e que eu sempre gostei de ignorar as recomendações que me são apresentadas como verdades absolutas e caminho único para a felicidade.

sábado, 10 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
nada é tão improvável quanto parece...
Sou uma grande consumidora de gasóleo e, por isso, tenho cartões de todas as gasolineiras existentes. Há poucas semanas, perdi o cartão fastgalp com quase 4000 pontos. Perguntei se poderia pedir um cartão novo e recuperar os pontos antigos. Pedido negado. Cartão novo, vida nova… que é como quem diz, zero pontos. A esperança que me restava era que alguém o encontrasse e o entregasse num posto de abastecimento… Sim… pois… altamente improvável.
Hoje recebi uma carta da galp e, ainda antes de abrir, senti o cartão. Ó alegria!!! Os meus pontos de volta. Abri o envelope e não… não era o cartão antigo. Esse já expirou e enviaram-me o cartão de substituição com os meus pontinhos todos. Nunca um prazo de validade me pareceu tão simpático quanto este, tenho de admitir.
Hoje recebi uma carta da galp e, ainda antes de abrir, senti o cartão. Ó alegria!!! Os meus pontos de volta. Abri o envelope e não… não era o cartão antigo. Esse já expirou e enviaram-me o cartão de substituição com os meus pontinhos todos. Nunca um prazo de validade me pareceu tão simpático quanto este, tenho de admitir.

quinta-feira, 8 de abril de 2010
constatações (2)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
dó ré mi fá sol lá si
Quando vou para as aulas de guitarra há uma sensação de superioridade que me acompanha. Coloco a guitarra às costas e passeio-me pela rua, quase inchada de importância, sem perceber por que razão não sou abordada para distribuir autógrafos, qual estrela de rock & roll…
Não percebo que os transeuntes (gente vulgar que vagueia pelas ruas sem uma viola no saco e transportando as compras do Lidl ou do Minipreço) não fiquem fascinados comigo e não façam esforços inimagináveis para que eu partilhe com eles os meus vastíssimos conhecimentos musicais ou a magia das minhas composições.
Após seis aulas, noto que esta sensação tende a decrescer. O meu receio, agora, é que daqui por mais algumas aulas também eu considere banal passear-me com a viola às costas e que o passo seguinte seja o desaparecimento do meu fascínio pelo sol, o dó ou o fá (e que difícil que é este fá, senhores!!!)
Após seis aulas, noto que esta sensação tende a decrescer. O meu receio, agora, é que daqui por mais algumas aulas também eu considere banal passear-me com a viola às costas e que o passo seguinte seja o desaparecimento do meu fascínio pelo sol, o dó ou o fá (e que difícil que é este fá, senhores!!!)

quarta-feira, 31 de março de 2010
os profissionais do ombro amigo
Há um determinado tipo de seres acerca dos quais é muitas vezes dito serem generosos e disponíveis, pois estão sempre dispostos a ceder o seu ombro para aparar a lágrima alheia. Mas não o fazem desinteressadamente para ajudar os amigos, as pessoas por quem sentem algum afecto ou simplesmente por generosidade para com os (des)conhecidos. Não. Fazem-no por orgulho, para preencherem as suas vidas com as vidas dos outros, para se sentirem necessários, por quererem que os outros lhes reconheçam essa bondade que afinal não existe.Dedicam-se a esta tarefa de forma quase profissional e, muitas vezes, descuram aqueles que lhes estão próximos porque não estão dispostos a perder o seu tempo com acções que não lhes dêem a visibilidade que anseiam. Eu designo-os por profissionais do ombro amigo.Oferecem sempre os seus préstimos aos deprimidos crónicos, aos inseguros patológicos, aos infelizes com mania de perseguição, aos coleccionadores de infortúnios. E é com o mesmo afinco e algum desprezo e rancor que se afastam dos felizes, seguros e lutadores.Indignam-se com os optimistas, mas, sobretudo com os que, na sua perspectiva, reúnem as condições para adoptar uma postura do “coitadinho” e alugar o seu ombro por tempo indefinido e não o fazem.
Parecem-me abutres sempre à procura de presa e quando estão entre familiares e amigos, ou no almoço com os colegas, contam as suas glórias, que mais não são do que o reconto dos problemas dos outros, a enumeração dos conselhos que deram, das lágrimas que secaram, das palavras caridosas que proferiram, as horas dispensadas com o “coitado, se não fosse eu…”
Fujo deles como o diabo da cruz e quando, inadvertidamente, deixo transparecer alguma tristeza ou preocupação e me aparece um destes profissionais disposto a oferecer os seus serviços gratuitos, procuro uma réstia de energia que me permita esboçar um sorriso e dizer “está tudo bem, é apenas cansaço”. E o abutre sem presa, após insistir um pouco para obter a confirmação, afasta-se amaldiçoando-me por não lhe ter permitido entrar em acção e aumentar o seu currículo quase-profissional.

terça-feira, 30 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
E, acrescento eu, quem diz facebook diz blogues...
“… há cinco tipos de adição à rede: cibersexo, ciberrelacional, compulsão de rede, descargas e dependência de computadores. Os sintomas de perturbação FAD (Facebook Addiction Disorder) são semelhantes à adição à internet (…) Os doentes apresentam um certo desprezo pelas relações na vida real e entram constantemente no Facebook para ver as actualizações, no computador do trabalho, de casa ou no telemóvel.
Para testar o grau de adição ao Facebook, alguns grupos de apoio sugerem que se faça o teste. Mas há uma forma mais rápida de os testar: quantos dias consegue estar sem entrar na sua página? Se não aguentar sequer 24 horas, o mais provável é que a experiência na rede social esteja a ir longe demais.”
in Jornal i, nº 275, 25 de Março de 2010

Para testar o grau de adição ao Facebook, alguns grupos de apoio sugerem que se faça o teste. Mas há uma forma mais rápida de os testar: quantos dias consegue estar sem entrar na sua página? Se não aguentar sequer 24 horas, o mais provável é que a experiência na rede social esteja a ir longe demais.”
in Jornal i, nº 275, 25 de Março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010
da 7ª arte (5) ou o elogio da mentira
Imaginemos um mundo onde todos dizem sempre a verdade; quando fazemos uma pergunta a resposta obtida é sempre verdadeira; não existe a dúvida e a noção de mentira é desconhecida. Perfeito? Não, terrível. Neste mundo sem mentira também não existe lugar para a criatividade e a imaginação, variantes positivas da mentira, nem para uma palavra de estímulo ou esperança para quem se encontra, aparentemente, num beco sem saída. Não podemos esquecer que a verdade e a crueldade, não raras vezes, estão muito próximas.Este filme fez-me reflectir sobre a importância da mentira (num sentido mais lato, claro!) e pensar que, por vezes, somos fundamentalistas quando nos afirmamos totalmente contra toda e qualquer omissão ou mentira piedosa.
da 7ª arte (4)
quinta-feira, 18 de março de 2010
Mia Couto
Ler Mia Couto é uma delícia. Demoro-me nas suas palavras e apetece-me ter sempre à mão um bloco e uma caneta para anotar muitas das suas frases que, além de revelarem um perfeito domínio da língua, expressam uma inteligência e sensibilidade raras.
"Velhice não é idade: é um cansaço. Quando ficamos velhos, todas as pessoas parecem iguais.", in Jesusalém
"Velhice não é idade: é um cansaço. Quando ficamos velhos, todas as pessoas parecem iguais.", in Jesusalém
terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
pois... os óscares...
Tenho de confessar que não vi nenhum dos filmes galardoados.
Na maior parte dos casos, nem vi os nomeados e nem me posso manifestar relativamente às escolhas.
E é caso para perguntar: onde é que eu me meti durante os fins-de-semana???
Dão -se alvíssaras a quem me souber informar.

domingo, 7 de março de 2010
há dias e dias
Não tenho nada contra a existência de dias disto, daquilo e do outro. Alguns servem para nos chamar a atenção para determinados temas ou situações específicas, outros nem por isso, mas, geralmente, não me incomodam. Algumas vezes, o que me incomoda é a forma como essas datas são festejadas e vivenciadas por nós. Um desses dias cuja comemoração me parece, quase sempre, disparatada é o dia internacional da mulher. Multiplicam-se por todo o lado palavras doces e elogiosas. As mulheres aparecem-nos como seres dotados de extrema beleza, sensualidade, altruísmo, sensibilidade e mais uma quantidade interminável de atributos. Elogiam-lhe a capacidade de ser, simultaneamente e de forma fantástica, mulheres, esposas, mães, profissionais, donas de casa e muito mais. Esses elogios são proferidos como verdades absolutas pelas mesmas vozes que frequentemente se referem a muitas mulheres como autênticos camafeus ou que gostam de assinalar a veia consumista e intriguista das mesmas. Ora, estas generalizações, sejam elas positivas ou negativas, irritam-me igualmente.
Parece-me artificial que se façam poemas e quadras, se ofereçam rosas, se organizem jantares como forma de enaltecer a mulher ou alertar para a situação precária em que muitas ainda vivem e nos restantes 364 dias do ano se aponte o dedo às mulheres com que nos cruzamos na rua e que, na azáfama diária, não arranjam as unhas, não cuidam do cabelo, compram a roupa na feira e não se preocupam com a lingerie ou com a celulite acumulada.
Penso que a homenagem possível é entender que nem todas têm possibilidade, tempo ou vontade de se apresentarem diariamente como actrizes de cinema ou manequins, pois para muitas mulheres a vida real está muito longe daquilo que se encontra nas revistas cor-de-rosa.
Parece-me artificial que se façam poemas e quadras, se ofereçam rosas, se organizem jantares como forma de enaltecer a mulher ou alertar para a situação precária em que muitas ainda vivem e nos restantes 364 dias do ano se aponte o dedo às mulheres com que nos cruzamos na rua e que, na azáfama diária, não arranjam as unhas, não cuidam do cabelo, compram a roupa na feira e não se preocupam com a lingerie ou com a celulite acumulada.
Penso que a homenagem possível é entender que nem todas têm possibilidade, tempo ou vontade de se apresentarem diariamente como actrizes de cinema ou manequins, pois para muitas mulheres a vida real está muito longe daquilo que se encontra nas revistas cor-de-rosa.
sábado, 6 de março de 2010
no aconchego do lar...
Está decidido! A visita ao CCB vai ser adiada para a próxima semana.
Itinerário para este fim-de-semana:
trabalho no escritório - descanso no sofá - trabalho no escritório - (repeat)….
…. com passagens pela cozinha.
Coração Independente, Joana Vasconcelosquinta-feira, 4 de março de 2010
a morada, por favor
quarta-feira, 3 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
top 3
Durante muito tempo, pensei que a situação que melhor ilustrava como sou despistada e propícia a protagonizar figuras tristes era o dia em que levei o carro para o trabalho, mas, no regresso, me esqueci desse pormenor e regressei a casa, caminhando alegremente durante 30 minutos, e só me lembrando do local onde havia deixado o meu fantástico bólide, umas horas mais tarde, quando quase desesperava na rua com a bagagem para o fim-de-semana na mão.
Mais recentemente, abasteci quarenta euros de combustível numa área de serviço do norte do país e só no momento de efectuar o pagamento me apercebi de que tinha comigo a mala errada, não tendo, por isso, dinheiro, cartões ou documentos. Corei, gaguejei, atrapalhei-me e acho que fui convincente, pois consegui continuar a viagem com o compromisso de pagar na semana seguinte (o que, de facto, fiz). Só não me meti num buraco porque não encontrei nenhum e pensei que pior que isto não me poderia acontecer.
Nesta sexta-feira arrumei a bagagem com grande velocidade e coloquei-a no porta-bagagem; não havia tempo a perder! Guardei toda a bagagem. Todinha. Incluindo a chave do carro. A minha chave suplente encontrava-se a duzentos quilómetros de distância e apenas quatro horas mais tarde consegui tê-la na mão e iniciar, desta vez mais calmamente, o fim-de-semana.
Começa a tornar-se difícil escolher o meu melhor momento.
Mais recentemente, abasteci quarenta euros de combustível numa área de serviço do norte do país e só no momento de efectuar o pagamento me apercebi de que tinha comigo a mala errada, não tendo, por isso, dinheiro, cartões ou documentos. Corei, gaguejei, atrapalhei-me e acho que fui convincente, pois consegui continuar a viagem com o compromisso de pagar na semana seguinte (o que, de facto, fiz). Só não me meti num buraco porque não encontrei nenhum e pensei que pior que isto não me poderia acontecer.
Nesta sexta-feira arrumei a bagagem com grande velocidade e coloquei-a no porta-bagagem; não havia tempo a perder! Guardei toda a bagagem. Todinha. Incluindo a chave do carro. A minha chave suplente encontrava-se a duzentos quilómetros de distância e apenas quatro horas mais tarde consegui tê-la na mão e iniciar, desta vez mais calmamente, o fim-de-semana.
Começa a tornar-se difícil escolher o meu melhor momento.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
a vida sem internet, ou um pequeno contributo para o autoconhecimento
Contrariamente ao (por mim) esperado, não ressaquei nem passei por uma qualquer síndrome de abstinência por não ter internet em casa.
O regresso à era a.I. foi bastante pacífico e constatei que não sou viciada em blogues ou jornais online e muito menos em redes sociais, que não utilizo, ou jogos de estratégia, que desconheço.
Os momentos que me fizeram sentir a falta da World Wide Web estiveram sempre directamente relacionados com questões de trabalho.
Esta constatação deixou-me feliz e com uma sensação de liberdade, responsabilidade e equilíbrio… até ontem. Numa tentativa de recuperar o “tempo perdido”, passei mais de duas horas a abrir e a fechar páginas, sem fazer nada e desperdiçando tempo que me teria sido tão útil e necessário noutras actividades.
Conclusão: posso não ser viciada, mas não tenho capacidade de autocontrolo.
O regresso à era a.I. foi bastante pacífico e constatei que não sou viciada em blogues ou jornais online e muito menos em redes sociais, que não utilizo, ou jogos de estratégia, que desconheço.
Os momentos que me fizeram sentir a falta da World Wide Web estiveram sempre directamente relacionados com questões de trabalho.
Esta constatação deixou-me feliz e com uma sensação de liberdade, responsabilidade e equilíbrio… até ontem. Numa tentativa de recuperar o “tempo perdido”, passei mais de duas horas a abrir e a fechar páginas, sem fazer nada e desperdiçando tempo que me teria sido tão útil e necessário noutras actividades.
Conclusão: posso não ser viciada, mas não tenho capacidade de autocontrolo.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
tudo o que é demais...
A capa da Vanity Fair está a causar polémica por ter incluído apenas actrizes brancas na sua selecção de “actrizes que vão mandar em Hollywood nos próximos anos”.
Esta mania do politicamente correcto torna-se extremamente cansativa e… incorrecta.
Serei a única a considerar que se se estiver sempre a pensar em quotas para não ferir susceptibilidades, se está a ter uma atitude paternalista, nada prestigiante para as alegadas vítimas de discriminação e que quase roça a esmola?
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Tragicomédia em dois actos
Personagens: aluna, professora, director de turma, encarregada de educação.
Acto I
17h20m. Sala de aula.
A aluna afirma não ter telemóvel, mas, alguns minutos mais tarde, é apanhada a enviar mensagens. Após alguma resistência, a professora retira-lhe o telemóvel e entrega-o ao director de turma que informa, telefonicamente, a encarregada de educação. A mãe, detentora de cordas vocais invejáveis, mostra desagrado pela atitude da professora e do director de turma e avisa que, apesar de no corrente ano lectivo nunca ter tido tempo para ir à escola, estará na escola na manhã seguinte para reaver o telemóvel.
Acto II
08h20m. Porta da escola.
Gritaria, ameaças, insultos. Mensagem transmitida: a filha é dona do telemóvel e pode usá-lo quando e onde entender, ninguém tem nada a ver com isso. São rogadas pragas à professora, ao director de turma e às respectivas famílias até à terceira geração.
Epílogo provável
Num gabinete longínquo, afastado de tudo e de todos, um psicólogo americano observa o caso através da sua vasta experiência em estudos de caso no papel e afirma, num monólogo que durará ad eternum, que nesta peça existe uma personagem maquiavélica, insensível e irresponsável: a professora, que conta com a cumplicidade do director de turma, personagem também caracterizada por um desequilíbrio comportamental e desajustado da sociedade.
Peça em cena no palco de uma escola bem perto de si. Assisti à antestreia.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O tempo que não passa…
É incrível que o tempo passe por nós sem que nos apercebamos e só reparemos que ele passou pela imagem que recebemos dos outros.Lembro-me que quando era criança ouvia muitas vezes a minha avó, com idade já bastante avançada, afirmar “Aquela rapariga é da minha idade” ou “Há muito tempo que não via aquele rapaz”. Eu procurava-os com o olhar e surpreendia-me ao constatar que a rapariga ou o rapaz eram uma senhora ou um senhor com uma respeitável cabeleira branca, ou a ausência dela, e que tinha no rosto as marcas deixadas pelas experiências da vida.Mais tarde, observei que também os meus pais se referiam da mesma forma a pessoas que, não tendo ainda uma idade tão avançada, também estavam longe de ser o que eu considerava um rapaz ou uma rapariga. Para mim era muito estranho que eles não compreendessem que as pessoas a quem se referiam eram adultos! Eram os pais dos meus amigos e colegas da escola e esses sim eram rapazes e raparigas… como eu!Continuo a surpreender-me, mas já não com estes comentários. Agora surpreendo-me quando encontro rapazes e raparigas que foram meus colegas e verifico que dos meninos que eu conheci não restou nada além da cor dos olhos, do cabelo e algum gesto ou expressão. Agora são independentes, trabalham, formaram as suas famílias e muitos têm filhos. Os rapazes e as raparigas que brincavam comigo ou faziam tropelias na escola, agora são o bancário, o enfermeiro, o dono do café, o vendedor, o professor, o polícia, o advogado, o desempregado, o dentista, o mecânico ou o psicólogo…Colocaram de lado a bola, as bonecas e os carrinhos. Já não usam mochila e quando compram cadernos, lápis e borrachas são para os filhos e interessam-se pelo preço. Já não correm na rua ou quando o fazem não se divertem, fazem-no com um ar comprometido ou furioso e é apenas para não chegar tarde ao emprego ou para não perder o autocarro.Se me ocorre, em alguma circunstância, ser atendida por algum deles que não me reconhece trata-me por “senhora” e já não me tentam subornar para que os ajude nos testes em troca de lápis de colorir ou de uma pedra de forma irregular. Também já não discutimos para decidir quem tem o pai mais forte, o irmão mais chato ou a professora mais bonita.Sabem o valor do défice, o preço da gasolina e o valor da prestação da casa mas não sabem o nome de todas as bonecas, quantos carros vermelhos passaram na rua na última meia hora nem quantos tinham matrículas com capicuas. Já não dizem ser o Homem-Aranha, a Super-Mulher ou o Batman. Alguns até esqueceram tudo o que queriam ser de tão ocupados que estão e se alguém lhes lembrar, provavelmente, vão dizer que é um disparate, uma idiotice de quem não cresceu e vive preso a recordações de infância.Ganharam idade, ganharam poder, há quem diga que ganharam juízo. Tomam decisões, resolvem problemas, dão ordens fundamentadas por vezes, outras vezes apenas “porque sim” ou “porque não” como as que detestavam receber quando eram crianças. Alguns aprenderam técnicas infalíveis na arte de negociar ou seduzir e têm sucesso numa ou em ambas. Mas perderam a capacidade de se encantarem com uma gota teimosa que entra pela janela mal calafetada, com as poças de água nos dias de chuva ou com a lagarta verde que se passeia vagarosamente na folha de couve.Também eu cresci. Também eu não sou a menina que era… Somos todos adultos, mas para mim são, e continuarão a ser, o rapaz ou a rapariga que brincava no recreio ou no jardim. E, mesmo com o actual cabelo grisalho de alguns e com o futuro cabelo branco e mobilidade reduzida de todos, vê-los-ei sempre com um sorriso no olhar, a brincar e a correr pela vida fora.

confissões nocturnas
Após doze horas de trabalho, nada me poderia saber melhor do que um serão
no conforto do meu sofá e uma noite de cinema em casa.
sábado, 30 de janeiro de 2010
e já vamos quase em 2000 kms de festa
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