Hoje, junto do metro, fui abordada por uma senhora que me perguntou se eu queria uma empregada doméstica. Depois de declinar a oferta (mantendo-me a única mulher portuguesa com um vencimento acima do ordenado mínimo que não tem empregada) olhei-me de alto a baixo para ver se se notaria muito que mais umas mãozinhas lá em casa me dariam muito jeito: a roupa estava limpa e engomada, as botas devidamente engraxadas; o meu brushing estava perfeito e eu ligeiramente maquilhada (estes dois últimos aspectos não se verificam diariamente). Estranhamente, hoje nem tinha olheiras ou um ar cansado. Deduzo, por isso, que a oferta não foi uma tentativa de me ajudar por estar com um ar estafado e desmazelado, mas sim uma procura activa de alguém que precisa de pagar as contas. No que me diz respeito, senti-me aliviada e, amanhã às 6h50, lembrar-me-ei de não refilar quando tiver de me levantar para enfrentar mais uma jornada.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
50% - 50%
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A todos aqueles que hoje tentaram converter-me à sua causa
Não tenho nada contra os que defendem que a comemoração do dia de S. Valentim é um apelo ao consumismo e/ou um comportamento de saloios.
Não tenho nada contra os que dizem que este dia deve ser vivido com paixão, muitos corações, rosas vermelhas e declarações mais ou menos lamechas.
Não tenho nada contra os que aceitam a comemoração, mas só se for feita com muita criatividade (seja lá isso o que for) e glamour.
Não sei se há outro grupo, mas se houver também não tenho nada contra eles. Afinal, se é o dia dos namorados, a comemoração ou a ausência dela diz respeito ao casal e não ao povinho todo.
Mas, por favor, não aproveitem esta minha tolerância (ou falta de posição, pode ser) para me tentarem vender os vossos argumentos e conseguirem mais uma seguidora da vossa causa. Eu acredito piamente que não é necessário ter uma opinião formada sobre tudo e sobre todos. E este é mesmo um daqueles assuntos que não me aquece nem me arrefece, tal como este é um dia que vou comemorando, ou não, de acordo com a disponibilidade, vontade... e outras .... "ades"...
Mas, por favor, não aproveitem esta minha tolerância (ou falta de posição, pode ser) para me tentarem vender os vossos argumentos e conseguirem mais uma seguidora da vossa causa. Eu acredito piamente que não é necessário ter uma opinião formada sobre tudo e sobre todos. E este é mesmo um daqueles assuntos que não me aquece nem me arrefece, tal como este é um dia que vou comemorando, ou não, de acordo com a disponibilidade, vontade... e outras .... "ades"...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
O senhor Henri
Do Gonçalo M. Tavares conheço muito pouco, mas ao ler O Senhor Henri, que me está a divertir imenso, não consigo deixar de imaginar qualquer professora de Língua Portuguesa, de caneta em riste, a anotar "Texto muito repetitivo. É necessário fazer algumas substituições. Excesso de parágrafos... e patati patata..."
1ª conclusão: tudo tem o seu tempo;
2ª conclusão: o estilo não é para todos;
3ª conclusão (e, para mim, a mais importante): encontrar o equilíbrio entre a transmissão de normas e a liberdade criativa é fundamental.
"O senhor Henri disse: a estatística foi inventada em Londres em 1662.
... antes também existiam acasos e repetições, mas ninguém os via.
O senhor Henri coçou depois a barriga com o dedo indicador da mão direita.
O senhor Henri tinha umas calças pretas que não chegavam aos sapatos.
O senhor Henri tinha uns sapatos castanhos antigos. E estes, vindos de baixo, também não chegavam às calças.
Uma admirável coincidência – disse o senhor Henri, ao mesmo tempo que recordava a importância da estatística inventada em Londres em 1662."
O Senhor Henri, Gonçalo M. Tavares
sábado, 5 de fevereiro de 2011
considerações toponímicas
Francamente, não consigo ter motivação para ir a um restaurante que se auto-intitula Plano B.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Aprendizagem empírica
Durante anos, encheram-me a cabeça com pedagogias e psicologias que garantiam que todas as ordens e proibições deviam ser justificadas às crianças e adolescentes.
Muito crédula e obediente, iniciei a minha actividade profissional com o intuito de cumprir na íntegra essas directrizes. Cedo reparei que em muitas situações essas justificações geravam contestação, argumentação (mais ou menos duvidosa e/ou elaborada) e muita perda de tempo.
Com o tempo, decidi justificar apenas aquilo que entendo dever ser justificado e responder simplesmente “Porque eu estou a dizer” quando entendo ser suficiente.
Resultado: menos contestação e menos perda de tempo.
Moral: o bom senso sobrepõe-se a todas as teorias.
Muito crédula e obediente, iniciei a minha actividade profissional com o intuito de cumprir na íntegra essas directrizes. Cedo reparei que em muitas situações essas justificações geravam contestação, argumentação (mais ou menos duvidosa e/ou elaborada) e muita perda de tempo.
Com o tempo, decidi justificar apenas aquilo que entendo dever ser justificado e responder simplesmente “Porque eu estou a dizer” quando entendo ser suficiente.
Resultado: menos contestação e menos perda de tempo.
Moral: o bom senso sobrepõe-se a todas as teorias.
domingo, 23 de janeiro de 2011
nem tudo o que parece é (2)
Desde muito cedo, percebi que sou uma pessoa preguiçosa e desorganizada. Sempre que me caracterizei dessa forma junto de colegas de escola ou de trabalho ouvi vozes de discordância: “Nem pensar. Tens tudo tão organizado. Cumpres todos os prazos. Trabalhas imenso.” E fico feliz; é bom saber que consigo disfarçar. O que a maior parte das pessoas não sabe é que eu faço um trabalho rigoroso, intenso e permanente de autopoliciamento. Faço listas mentais e/ou escritas de tarefas, estipulo prazos, defino prioridades, organizo pastas e dossiers e avalio constantemente o cumprimento daquilo a que me propus. Não me dou tréguas. Mas, naturalmente, este esforço diário cansa-me e, de tempos a tempos, o polícia que vive dentro de mim adormece um pouco e entro num sistema de serviços mínimos, em que só aquilo que é prioritário é feito. É o caos. As pastas desorganizam-se, as tarefas secundárias acumulam-se; eu entro, rapidamente, em parafuso e o sinal de alerta dispara. Acto contínuo, estipulo uma agenda muito mais rígida para os dias que se seguem de forma a compensar os dias (por vezes, apenas algumas horas) de liberdade.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
o clique
Não é raro passar muito tempo sem telefonar aos amigos que não encontro com frequência. Quando me justifico com a falta de tempo, custa-me a acreditar e oiço-me dizer "pois, pois... desculpa esfarrapada. Arranjamos sempre tempo para fazer aquilo que queremos e, afinal, um telefonemazinho faz-se (quase) em qualquer lugar". E fico envergonhada. Penso que sou a pior amiga do mundo, uma egoísta sem tempo para os outros e patati patata. No entanto, sei que isso não é verdade, mas perante a dificuldade em me perceber desisto de pensar no assunto.
Hoje deu-se o clique e consegui entender. Não deixo de telefonar por falta de tempo, mas por falta de tempo de qualidade. Sou incapaz de telefonar a um amigo que não vejo há dois meses enquanto faço as compras de supermercado ou quando viajo nos transportes públicos, enquanto espero que me atendam no restaurante ou quando disponho apenas de cinco minutos para conversar. Quando telefono a alguém com quem não me encontro frequentemente faço-o com a intenção de falar e de ouvir, de contar e saber as novidades e, também, trocar ideias. Faço-o com o objectivo de lhe dedicar algum do meu tempo. Em regime de exclusividade.
Além disso, também não gosto de me sentir um operário na linha de montagem e, por isso, não faço dois ou três telefonemas seguidos. Dou-me tempo para absorver o que partilhado.
Nesta situação, como em muitas outras, prefiro a qualidade à quantidade.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
E sobre o tema do momento
só tenho a acrescentar este esclarecimento linguístico:
Os termos presente e prenda usam-se indistintamente com o significado de oferta, mas há, efectivamente, uma certa diferença entre eles. Com a palavra presente queremos dizer que a nossa oferta é símbolo da nossa presença. Por meio da oferta dizemos que estamos presentes. E a verdade é que, quando nos ausentamos, o objecto que oferecemos faz com que sejamos lembrados, faz perdurar a nossa presença junto de quem o recebeu. Presente é um substantivo formado do adjectivo presente (do latim ‘praesente-‘). Com a palavra prenda queremos dizer que entregamos à pessoa algo que faz com que ela fique de algum modo mais enriquecida, possuidora de algo com valor (não forçosamente material) e ainda que nos sentimos penhorados, que aquilo que oferecemos é uma garantia do nosso carinho, da nossa amizade, ou mesmo do nosso agradecimento, ou que é uma recompensa, um prémio. Esta palavra provém do latim ‘pignora-’ (= refém)
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Adenda ao post de dia 19
Onde se lê "estes motivos natalícios..." deve ler-se "estes motivos alusivos ao Ano Novo..."
PS: É a isto que se chama "reutilizar" :)
PS: É a isto que se chama "reutilizar" :)
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
(des)temperamentos
Não me venham com aquela conversa de "Fulano ou sicrano tem um temperamento difícil (eufemismo para é uma besta intratável), mas desculpamo-lo porque é muito bom profissional". Desde quando é que o profissionalismo e a arrogância têm de vir no mesmo pacote?
Não espero que toda a gente seja um doce, nem sequer aprecio excessos de simpatia, peço apenas que todas as pessoas tratem os outros como pessoas que lhes merecem respeito, sem parecer que lhes estão a fazer um grande favor por lhes dirigirem a palavra, e que falem em vez de lançarem farpas sem sentido em todas as direcções. Simples, parece-me.
Sim, fulano ou sicrano, apesar de ser insuportável, pode até ser um bom profissional, mas seria, certamente, bem melhor se estivesse mais disponível para os outros e para partilhar saberes e experiências. Os repelentes devem ser usados com moderação.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Estes motivos natalícios que pairam pelo blogue
servem apenas para provar que, por vezes, sou muito dada à piroseira (ou direi antes ao
kitsch?)
sábado, 18 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
jantar com quem?
Nos últimos dias (e adivinho que nos próximos também), de forma mais ou mais secreta, toda a gente se queixa dos jantares de Natal organizados pela empresa ou local onde trabalha: são uma treta, atura-se o chefe e os imbecis dos colegas, as conversas e o divertimento são artificiais, trocam-se prendas compradas nas lojas dos chineses, é preciso fingir que se achou piada à piroseira oferecida pelo amigo secreto e mais umas quantas coisas que agora não me estão a ocorrer.
Mas quem vai a esses jantares? Os colegas. Os mesmos com quem se trabalha diariamente. Ou seja, previamente, já se deverá saber se se tem vontade, ou não, de passar uma parte do tempo livre com aquelas pessoas.
Penso que será fácil deduzir que quem acha esses jantares horríveis é porque não quer passar mais tempo com os colegas. Então, vai ao jantar porquê? Não deverá pensar se vale a pena?
Mas quem vai a esses jantares? Os colegas. Os mesmos com quem se trabalha diariamente. Ou seja, previamente, já se deverá saber se se tem vontade, ou não, de passar uma parte do tempo livre com aquelas pessoas.
Penso que será fácil deduzir que quem acha esses jantares horríveis é porque não quer passar mais tempo com os colegas. Então, vai ao jantar porquê? Não deverá pensar se vale a pena?
Para ajudar a tomar a decisão mais acertada, basta responder a estas perguntas:
1. Gosta de passar tempo com os seus colegas?
Sim – Então, vá ao jantar sem preconceitos e divirta-se.
Não – Responda à questão nº. 2.
2. Nas funções a desempenhar consta a participação em encontros sociais com os colegas em horário pós-laboral?
Sim - Então, vá. Ossos do ofício.
Não – Responda à questão nº. 3.
Não – Responda à questão nº. 3.
3. Quer dar graxar ao chefe para ter uma melhor avaliação e/ou mais oportunidades de progressão?
Sim - Então, vá. Vida de engraxador é difícil.
Não – Não pense mais nessa treta de jantar. Use o tempo livre para fazer aquilo que lhe dá na real gana.
Não – Não pense mais nessa treta de jantar. Use o tempo livre para fazer aquilo que lhe dá na real gana.
Educação (?!)
A mãe de um miúdo de doze anos confidenciou-me que, não tendo possibilidade económica de comprar umas botas Timberland, comprou uma imitação na feira, pediu a uma vizinha que trabalha num centro comercial que lhe trouxesse um saco da marca e surpreendeu o filho oferecendo-lhe as botas que ele queria. Perguntei-lhe se não teria sido preferível explicar-lhe que o orçamento familiar não permite que se comprem botas de 120 euros, havendo outras mais baratas que também são boas e bonitas. Disse-me que não, nem pensar. Não quer que o miúdo saiba que têm dificuldades económicas; quando crescer vai ter muito tempo para saber que a vida é dura. Ok... Se calhar a minha insensibilidade e incapacidade para perceber estes princípios educativos deve-se ao facto de não ter filhos.
Neste momento, o miúdo anda feliz da vida e, constantemente, goza com os colegas que, coitados, são pobres e não têm botas de marca.
Ah! É verdade: já colocou uma fotografia das ditas no Facebook.
Neste momento, o miúdo anda feliz da vida e, constantemente, goza com os colegas que, coitados, são pobres e não têm botas de marca.
Ah! É verdade: já colocou uma fotografia das ditas no Facebook.
falando do tempo...
A minha relação com a meteorologia é... inexistente. Exceptuando os dias em que fico encharcada até ao tutano e tenho de passar assim o dia, estou-me absolutamente nas tintas para as condições atmosféricas e, na maior parte das vezes, quando a minha mãe (que consegue passar dez ou quinze minutos a descrever-me a forma e tonalidade das nuvens, a temperatura, a força do vento, a quantidade de água que caiu ao longo do dia) me pergunta ao telefone “então, como esteve o dia por aí?” eu nem sei responder e digo o que me ocorrer no momento.
Não, não trabalho em casa, não me desloco diariamente de carro, não tenho ar condicionado em casa nem no emprego. Trabalho a uma distância de cerca de 35 a 40 minutos, que faço usando transportes públicos e a pé, e quando consigo trabalhar numa sala que tenha todas as janelas em condições e portas que fechem já é uma sorte. Apenas não tenho qualquer obsessão pelo clima. É simples.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Não consegui manter-me imune à loucura das compras
... mas uma viagem para Bruxelas (exactamente no fim de Janeiro, quando eu pretendia passar um fim-de-semana fora) a 3 euros pareceu-me irrecusável!
a inveja tem sexo
Numa conversa ocasional, com homens, afirmo que o Ferrari não me seduz de todo e que não é um carro que eu ambicione conduzir. Eles lamentam a minha falta de gosto e a conversa continua a fluir alegremente.
Numa outra conversa entre mulheres, confesso que não gosto da carteira Chanel 2.55, acho-a feia e sem graça. Olhares de horror recaem sobre mim, a conversa termina abruptamente e pouco depois, quando me afasto, alguém sussurra que tenho é inveja.
domingo, 5 de dezembro de 2010
as pessoas sensíveis do século XXI
as pessoas sensíveis do século XXI…
… interpretam sentimentos escondidos em textos rebuscados, mas não entendem as palavras que lhes são ditas directamente...
… comovem-se com os heróis dos romances e dos filmes que vêem no cinema ou com as personagens de blogues ou “facebookianas”, mas ignoram as pessoas com quem partilham os dias e a vida…
… adoram animais perdoando-lhes todos os caprichos, mas gritam às pessoas de quem dizem gostar quando são contrariadas...
… comovem-se com as campanhas de solidariedade nacional e internacional e participam em cadeias de generosidade, mas negligenciam as pessoas necessitadas do seu bairro…
… partilham todos os momentos com os amigos virtuais, mas não têm tempo para conviver com os amigos e familiares.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Dicas de poupança
Quando penso em fazer compras que não são essenciais, converto o preço em dias de trabalho.
Comigo resulta lindamente!
constatações (6)
Dizem-me muitas vezes “segunda-feira à tarde livre? Sortuda! É óptimo para ir ao cinema ou mesmo às compras!” Sim, sim... Sentei-me a trabalhar às 14:30, parei cerca de meia-hora para fazer um lanchinho e só agora reparei que é hora de jantar. E esta segunda não foi excepção. Excepção foi aquela em que resolvi ir ao cinema e desperdicei hora e meia a ver “orar, amar, rezar”
domingo, 28 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Greve Geral
Para os que não puderam deixar os filhos na escola, para os que tiveram de adiar uma consulta marcada , para os que tiveram de sair de casa duas horas mais cedo porque não puderam usar os transportes públicos, para os que não puderam resolver assuntos burocráticos na loja do cidadão...
- têm a certeza de que a vossa revolta está bem direccionada?
- têm a certeza de que a vossa revolta está bem direccionada?
Folheando os jornais, é fácil encontrar alguns exemplos que poderão ajudar a encontrar a resposta...
“Os salários dos administradores da Fundação Cidade de Guimarães (FCG) vão sofrer um corte de 30 por cento no início do próximo ano (...) o vencimento da presidente da FCG, Cristina Azevedo, passa de 14.300 para dez mil euros (...)os restantes 17 membros passam a receber 210 euros por reunião, em lugar dos actuais 300.” Público, 19/11/2010
“Três milhões de euros por dia. Foi este o lucro líquido registado pelos três maiores bancos privados portugueses no primeiro semestre do ano(...). No total, BCP, BES e BPI arrecadaram, nos primeiros seis meses, 544,9 milhões de euros, mais 62,2 milhões do que no mesmo período de 2009. Em contrapartida, os impostos pagos corresponderam a um terço do valor pago no primeiro semestre de 2009: 33,8 milhões de euros contra 108,6 milhões há um ano. Ou seja, pouco mais de 6% dos lucros registados.” Diário de Notícias, 29/07/2010
“Os salários dos administradores da Fundação Cidade de Guimarães (FCG) vão sofrer um corte de 30 por cento no início do próximo ano (...) o vencimento da presidente da FCG, Cristina Azevedo, passa de 14.300 para dez mil euros (...)os restantes 17 membros passam a receber 210 euros por reunião, em lugar dos actuais 300.” Público, 19/11/2010
“Três milhões de euros por dia. Foi este o lucro líquido registado pelos três maiores bancos privados portugueses no primeiro semestre do ano(...). No total, BCP, BES e BPI arrecadaram, nos primeiros seis meses, 544,9 milhões de euros, mais 62,2 milhões do que no mesmo período de 2009. Em contrapartida, os impostos pagos corresponderam a um terço do valor pago no primeiro semestre de 2009: 33,8 milhões de euros contra 108,6 milhões há um ano. Ou seja, pouco mais de 6% dos lucros registados.” Diário de Notícias, 29/07/2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Dos prazos de validade
Há cerca de três ou quatro anos decidi abolir da minha vida as amizades com prazo de validade limitado. Decidi fazê-lo usando o método mais simples e menos falível: fechando a porta ao desenvolvimento de afectos que sei que, por razões contextuais, terão apenas uns meses de duração.
Como em todas as decisões, há a possibilidade de errar e de haver arrependimentos, e assim tem sido. Aliás, este processo é cíclico: em Setembro decido e em Julho arrependo-me da decisão anterior e substituo-a pela decisão de não insistir no mesmo erro.
Há na minha atitude um enorme egoísmo, uma preservação idiota e, talvez, injustificável. Creio que terei receio de dar mais de mim do que aquilo que recebo em troca, o que confirma, como sempre suspeitei, que o adjectivo “altruísta” não se me aplica de todo.
Sei que perco bastante quando uso este escudo. Perco muitas coisas que seriam muito positivas, mas perco também, e que não é de somenos importância, a possibilidade de me desiludir uma e outra vez até encarar as desilusões como parte integrante da vida e não como um bicho papão do qual nos devemos proteger.
Como em todas as decisões, há a possibilidade de errar e de haver arrependimentos, e assim tem sido. Aliás, este processo é cíclico: em Setembro decido e em Julho arrependo-me da decisão anterior e substituo-a pela decisão de não insistir no mesmo erro.
Há na minha atitude um enorme egoísmo, uma preservação idiota e, talvez, injustificável. Creio que terei receio de dar mais de mim do que aquilo que recebo em troca, o que confirma, como sempre suspeitei, que o adjectivo “altruísta” não se me aplica de todo.
Sei que perco bastante quando uso este escudo. Perco muitas coisas que seriam muito positivas, mas perco também, e que não é de somenos importância, a possibilidade de me desiludir uma e outra vez até encarar as desilusões como parte integrante da vida e não como um bicho papão do qual nos devemos proteger.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
15 de Novembro - Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa
Muito raramente um anúncio publicitário transmite uma mensagem tão bonita.
domingo, 14 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
A dificuldade das palavras simples
Para explicar o significado de “confortável” a uma criança para quem o português não é a língua materna, recorri a uns vinte exemplos muito diversificados, utilizando roupa, sapatos, viagens em vários meios de transporte, etc., etc., etc....
Uma semana mais tarde, quis provar-me que ainda sabia e deu-me a seguinte explicação: “No autocarro, uma pessoa gorda senta-se, não é confortável”. Pedi um esclarecimento. Resposta: “É aquilo do sapato.”
Nova explicação, novos exemplos. Na próxima semana saberei se consigo melhores resultados.
Uma semana mais tarde, quis provar-me que ainda sabia e deu-me a seguinte explicação: “No autocarro, uma pessoa gorda senta-se, não é confortável”. Pedi um esclarecimento. Resposta: “É aquilo do sapato.”
Nova explicação, novos exemplos. Na próxima semana saberei se consigo melhores resultados.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Dos maus exemplos
Num dos jornais do fim-de-semana li que o número de famílias que recorrem às instituições de apoio e de distribuição alimentar está a aumentar. Eu leio e lamento, mas não consigo ignorar uma realidade que eu conheço. Perto da casa da minha mãe, numa vila do interior, situa-se um centro social que, com uma certa regularidade, entrega um cabaz de alimentos aos carenciados. Não é raro ver os “pobres” a deitarem fora o arroz, o esparguete ou outros alimentos porque não são da marca que gostam.
Quero acreditar que isto não reflecte a atitude da maioria daqueles que pedem ajuda, mas desde o momento em que eu própria presenciei uma destas selecções nunca mais contribuí para o banco alimentar ou outro peditório desse género. Estarei a ser injusta? Talvez, mas não mais do que aqueles que deitam fora a ajuda que lhes é dada, muitas vezes, com sacrifício.
sábado, 6 de novembro de 2010
Descalça, sei o que fizeste no Inverno passado
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
pontos de vista
Ouvir ou ler notícias sobre a crise em todos os órgãos de comunicação, para mim, não é chato, é preocupante.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
lição da semana
Nunca devemos fazer mais do que a nossa obrigação. Mesmo que pensemos que vale a pena prescindir de parte da nossa vida pessoal em prol de terceiros, devemos fazer apenas aquilo que temos mesmo de fazer, sem desvios, sem prolongamentos, sem pretensões de melhorias.
É triste, mas não podemos desprezar aquilo que aprendemos.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
E passar a ferro, senhores, haverá tarefa mais imbecil?
Desde já, a minha palavra de admiração e apreço por todas as engomadeiras, mas, aqui entre nós, é horrível , não é?
Conheço quem garanta que passar a ferro é relaxante, que se consegue abstrair e fazer planos para os dias de trabalho ou para os momentos de lazer e até ter ideias geniais que se revelam de grande utilidade. Eu só consigo ter ideias homicidas. Nos momentos em que me encontro de ferro na mão qualquer terrorista ou maquiavélico sanguinário e psicopata é um anjo, se comparado comigo.
Deixo alguma da roupa numa engomadoria, mas a que me sobra é suficiente para me estragar algumas horas, que, aliás, distribuo com muita parcimónia pelos vários dias da semana, de forma a evitar um atentado no meu prédio.
Mas a dúvida persiste: as pessoas que dizem gostar de engomar estarão a falar a sério ou tratar-se-á de uma piada irónica ou brincadeirinha para enganar parolos?
sábado, 9 de outubro de 2010
critérios
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
mudam-se os tempos, mantêm-se as vontades...
Todas as tardes, enquanto eu vou caminhar, ele prepara o jantar. Para nós isto é normal. Tão natural como eu ficar a arrumar a casa enquanto ele vai a uma prova de BTT, ou eu ir deitar-me a ler um livro enquanto ele lava a loiça, ou eu aspirar a casa enquanto ele descansa um pouco no sofá. Mas parece que, aos olhos dos outros, só é aceitável que seja eu a dedicar-me à lida doméstica e ele ao descanso ou ao lazer. Parece que eu devia dizer “ele faz-me o jantar”, “ele lava-me a loiça” e ficar eternamente grata por ter ao meu lado alguém que entende que as tarefas não se devem dividir por sexo, mas por preferências, por estados de espírito, por disposição e capacidade.
Entender a divisão de tarefas como algo natural, óbvio e obrigatório ainda é pecado no século XXI. E, dizem, sou muito mal agradecida e estou muito mimada; se eu soubesse o que há por aí...
Entender a divisão de tarefas como algo natural, óbvio e obrigatório ainda é pecado no século XXI. E, dizem, sou muito mal agradecida e estou muito mimada; se eu soubesse o que há por aí...
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
constatações (5)
Ir caminhar enquanto escuto o podcast do Governo Sombra (pois... que levantar às seis e meia, trabalhar o dia todo e ainda conseguir correr uma hora seria demasiado para mim. Desde que as férias terminaram, uma caminhada de uma hora ao fim do dia já é um grande feito e uma viragem na minha vida)... mas dizia eu que ir caminhar enquanto escuto o podcast do Governo Sombra não é uma ideia muito brilhante, pois andar sozinha a sorrir ou mesmo a rir às gargalhadas é capaz de deixar os outros “atletas” um pouco desconfiados. E tendo em conta que me cruzo, diariamente, com as mesmas pessoas, é melhor tentar manter uma imagem de pessoa razoavelmente equilibrada.
da idolatria
Eu percebo que as pessoas façam alguns sacrifícios para ir ver os U2, ou outra banda ou cantor. Neste caso, é um concerto ao qual eu gostaria de assistir. Mas ir acampar com horas e horas de antecedência para ser o primeiro a entrar no estádio?!? Há aí qualquer coisa que eu não consigo atingir. Deve ser problema apenas meu.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
constatações (4)
Um fim-de-semana caseiro, sem trabalho, sem computador, sem internet e quase sem telemóvel, fez milagres pela diminuição das revistas e dos jornais que se empilhavam, esperando, pacientemente, pelo seu momento.
Ninguém me convence do contrário: as novas tecnologias são inimigas da leitura.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
da blogosfera
As pessoas que têm blogues, ou que os lêem compulsivamente, acreditam que a blogosfera é muito importante. Não, não é. É apenas um espaço que cada um usa para escrever os dislates que entender, quando lhe der na real gana. E nada mais do que isso.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
A ausência de televisão explicada às crianças e ao povo
Muito raramente vejo televisão. O aparelho televisivo cá de casa passa várias semanas sem ser ligado. Não faço ideia de qual é a programação televisiva das várias estações. Não sei quais são, neste momento, os programas ou apresentadores da moda, quais os concorrentes adorados ou odiados e quando assisto a discussões inflamadas em defesa de fulano ou sicrano, do programa x ou y, desligo completamente e nem escuto os argumentos invocados.
Quando, casualmente, revelo este facto as crianças e adolescentes consideram-me uma E.T. e passam a olhar-me de forma estranha, já os adultos julgam-me pedante. E afinal, eu apenas não vejo televisão. Eu não digo que os programas televisivos são maus, que a televisão promove a ignorância, que me ocupo com actividades de maior relevância ou de maior riqueza intelectual. O que acontece é que, e ao contrário de muita gente, eu não sinto qualquer necessidade de ligar a TV para me sentir acompanhada, aliás, o barulho duma conversa que não estou a acompanhar incomoda-me. Sempre que tenho a possibilidade de escolher, opto por almoçar ou jantar num local em que não haja uma televisão aos berros. Além disso, em casa, apenas tenho um televisor na sala, que é também o local onde passo menos tempo, e quando lá estou aproveito-o para conversar, namorar ou assistir a um filme (ou tudo em simultâneo).
Em suma, se calhar não vejo televisão porque sou pobre. Porque tenho de trabalhar. Porque me falta o tempo. Tudo razões que não me dão qualquer superioridade intelectual sobre aqueles que passam, diariamente, três ou quatro horas diante de um televisor.

domingo, 19 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
O excesso de zelo da Comissão Nacional de Protecção de Dados transcende-me
“(...)Por estes dias, a CNPD está a analisar, juntamente com o Ministério da Educação, os sistemas de registo e de gestão de alunos nas escolas e "muito brevemente vai pronunciar-se sobre isso", segundo Isabel Cruz, para quem a CNPD tomará medidas contra o que quer que "ponha em causa a privacidade das crianças".
Instalados nas escolas dos 2.º e 3.º ciclos e do secundário do país, os cartões electrónicos têm mais ou menos funcionalidades, consoante a escola. Nalgumas, o mecanismo electrónico limita-se a substituir a circulação de dinheiro, funcionando como meio de pagamento dentro do recinto escolar. Noutras escolas, o mecanismo já permite que os pais controlem as notas, horas de entrada e saída e as faltas dos alunos pela Internet(..)" Público - 10/Set/2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
gente gira
Tenho uma amiga que, de tempos a tempos, me fala de alguém que conhece(u), ou que eu gostaria de conhecer, dizendo que “é uma pessoa mesmo gira”. Este é o melhor cartão de apresentação e o melhor elogio que lhe poderia fazer.
Para ela, uma pessoa mesmo gira não é alguém com um corpo escultural, um cabelo sedoso e uma pele hidratada, que usa roupa cara e da moda. Uma pessoa mesmo gira é uma pessoa apaixonante e apaixonada pelos projectos que abraça, pelo trabalho, pelos outros e pela vida. É alguém com quem é um prazer passar o tempo, seja para uma conversa informal, seja para um trabalho que dura horas e durante o qual nem se olha para o relógio.
Hoje conheci uma pessoa mesmo gira!
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Sonhar é humano e (nem sempre) louvável
Não é que eu faça questão de ouvir as conversas dos outros, mas às vezes é inevitável. No café, hoje, foi assim:
Rapariga de 22 anos - Eu já avisei os meus pais. Este ano vou fazer apenas três cadeiras por semestre, no próximo ano termino. Não é preciso ter pressa, vou ter a vida toda para trabalhar; ainda só tenho 22 anos! Daqui a dois anos, termino e arranjo um bom emprego, que é para poder viajar. Tenho de aproveitar bem enquanto vivo com os meus pais.
(Crise... desemprego... emprego precário... Não há!)
ikea
Gosto do IKEA. Gosto do design, das cores, da funcionalidade dos objectos, mas quando escolho uma estante linda, linda, linda e trago para casa uma caixa espalmada, cheia de peças soltas, não consigo deixar de me sentir um pouco desapontada.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010
nem tudo o que parece é
Há já algum tempo que eu queria fazer o trabalho que vou desenvolver nos próximos meses. Tive de conseguir esperar, estudar mais, trabalhar muito. Tive de fazer escolhas difíceis e arriscar bastante.
Consegui. E agora estou cheia de medo. Sou mesmo uma pseudo-corajosa de algibeira.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Primavera, Outono, Inverno, Verão
Eu juro que não percebo qual é o encanto que toda a gente vê no Verão.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Quando é que eu arrumo o carro?
Quando me deparo com os heróis das passadeiras. Aqueles que quando vêem um carro parado, desaceleram o passo, param para conversar com os amigos, fazer telefonemas ou namorar e nos olham com ar de desafio.
Eu aproveito para arrumar a papelada que anda sempre na porta do carro, ver o que existe no porta-luvas (e as agradáveis surpresas que eu tenho?!), actualizar as estações de rádio que tenho memorizadas, procurar CDs perdidos... Enfim... há sempre muito para fazer.
Se tiver uma semana cheia de heróis, posso sempre arrumar a mala e aí, meus amigos, podem permanecer na passadeira o tempo que quiserem, pois será sempre pouco.
Só arranco novamente após ter(em) saído da passadeira ou quando alguém mais apressado me buzina. Garanto que resulta. O meu tempo não é desperdiçado e o ar de frustração que lhe(s) vejo espelhado no rosto é impagável!
Só arranco novamente após ter(em) saído da passadeira ou quando alguém mais apressado me buzina. Garanto que resulta. O meu tempo não é desperdiçado e o ar de frustração que lhe(s) vejo espelhado no rosto é impagável!
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Os telemóveis não gostam de atum
No dia em que deixei o meu telemóvel cair dentro duma lata de (pouco) atum com (muito) óleo, onde ficou uns minutos por ser muito dificil tirá-lo de lá, imaginei que aquela intimidade não teria sido muito saudável. Pois é... tenho, neste momento, um telemóvel cuja parte digital está morta por afogamento: não faz chamadas, não escreve nem lê mensagens. Apenas me serve para receber telefonemas, quando tenho a sorte (ou azar) de chegar a tempo, pois, caso contrário, fico sem saber quem ligou.
Hoje vou tentar encontrar um telemóvel que cumpra os seguintes requisitos: seja branco, tenha câmara fotográfica, não seja estupidamente caro e que seja maior do que uma lata de atum.
O desacordo continua
Parece que é moda dizer que é insuportável ler a Visão ou o Expresso escritos ao abrigo do novo Acordo Ortográfico. Confesso que também não me agrada tirar o “p” do óptimo ou o “c” da acção, mas, uma vez que o mesmo entrou em vigor, considero que não vale a pena ser fundamentalista e afirmar que nunca o utilizarei, pois entendo que a língua é uma entidade viva e sofre mutações. Aliás, é essa a base da sua riqueza.
Sendo que o período de transição decorre até 2015, até me parece de louvar que o grupo Impresa o adopte nas suas publicações para facilitar a adaptação dos leitores.
Sendo que o período de transição decorre até 2015, até me parece de louvar que o grupo Impresa o adopte nas suas publicações para facilitar a adaptação dos leitores.
O que não suporto mesmo é ouvir ou ler as críticas fervorosas vindas de pessoas que, em cada frase que escrevem ou verbalizam, recorrem a expressões inglesas, como se as portuguesas não fossem suficientemente claras, ou que escrevem mails e sms com a língua dos “k” e dos “x”, esquecendo, nesses momentos, a língua que tanto dizem defender.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
dos nomes próprios
Hoje conheci dois irmãos: o Salvador e a Felicidade.
Sem dúvida, têm uns pais mesmo optimistas!
domingo, 22 de agosto de 2010
Eu devia era andar entretida com leituras light
É assustador pensar nas barbaridades que, em nome da ciência, se estarão a cometer neste momento, perante os nossos olhos e concordância, e que se virão a comprovar não serem mais do que uma brutalidade.
“Itard [séc. XIX] levou a cabo os mais extravagantes procedimentos médicos com crianças (...) surdas, depois de os seus muitos anos de tentativas para lhes ensinar técnicas de oralidade se terem revelado completamente infrutíferos. Começou por aplicar electricidade nos ouvidos de alguns alunos (...) Furaram-se ainda os tímpanos de seis estudantes, mas a operação mostrou-se dolorosa e infrutífera, e Itard acabou por desistir. Mas já não o fez a tempo de evitar a morte de um estudante, que faleceu na sequência do seu tratamento... (Lane, 1992:191)”
“Alexander Graham Bell (...) considerava que, uma vez que existiam padrões familiares de surdez, se deviam recear resultados calamitosos, correndo-se, mesmo o risco de eles virem a constituir “uma variedade da raça humana na qual a surdez seria a regra e não a excepção” (Ibid.: 193).
Segundo nos diz Lane, Bell chegou a recomendar a criação de uma lei que proibisse o casamento entre pessoas pertencentes a famílias com mais de um surdo. Isso abrangeria o casamento entre pais ouvintes que pertencessem a essas famílias. No entanto, acabou por considerar que seriam precisos mais dados para justificar a aprovação de uma tal lei.”
(Maria do Céu Gomes, Lugares e Representações do Outro – a surdez como diferença)
Eu, infiel, me confesso
Tenho de confessar: ele não me serve para nada e não tem qualquer importância na minha vida.
Passo dias sem me lembrar da sua existência. Apenas partilho com ele o que me acontece de bom e de mau, ou qualquer outra situação, se não tiver por perto alguém com quem me apeteça trocar umas palavras.
E por falar em trocar... Às vezes, apetece-me terminar e recomeçar tudo com outro que tenha qualidades que nele não encontro: um que seja divertido, sem ser vulgar; erudito, sem ser pedante; atraente, sem ser exibicionista. Um que me orgulhasse de apresentar aos amigos e do qual me dissessem "é a tua cara; fica-te mesmo bem!"
Mas sei que também com esse eu seria distante, pouco dedicada e infiel. Sim, infiel e bígama. Porque, por vezes, apetece-me ter dois. Diferentes. Sinto que só dois completamente diferentes poderiam ir ao encontro das minhas necessidades.
Mas... dois...?! Nem pensar! Se com um já é o que é!
E é isto. De forma nua e crua é esta a relação instável e disfuncional que mantenho com o meu blogue.

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constatações,
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momentos
terça-feira, 17 de agosto de 2010
estas coisas não acontecem só aos outros...
Sete dias. Há exactamente sete dias que às 6h45 saio da cama, visto o equipamento desportivo, agarro no meu iPod e vou correr durante uma hora. Não falhei um único dia.
Afinal estas coisas não acontecem só aos outros...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010
qualidades
Se eu fosse uma vedeta e me pedissem para identificar a minha principal qualidade, responderia que é a capacidade de despachar pessoas que me chateiam e terminar conversas que me aborrecem. Palavra. Sou mesmo boa nisso.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
feitios
Das pessoas que eu conheço, sou a única a quem uma semana na tranquilidade dos Açores provoca stress.
Ah!... Já agora, considero os filmes de acção um excelente sonífero e a maior parte das anedotas entedia-me.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
ó minhas senhoras, decidam-se!
A conversa na mesa ao lado era, mais ou menos, assim:
Mulher 1 - Vi a Lia. continua com a mania de não querer ter uma relação séria, nem filhos... diz que a carreira está em primeiro lugar.
Mulher 2 - Pois sim.. Se houvesse alguém que lhe olhasse para a cara eu queria ver se ela continuava com essa conversa.. e até seria estupidez! Onde já se viu colocar a profissão à frente da família e duma vida pessoal completa!
M1 -É completamente diferente da irmã. Está grávida outra vez.
M2 - Outra vez?!?!? É o terceiro filho! Mas estará louca!? Ela nem terminou o curso com a parvoíce de querer casar cedo. Se o marido lhe der com os pés (e parece-me bem desse tipo!) está lixada!
M1 - Nem imagino o choque que seria... Se calhar ficava como a Carmo. Desde que se divorciou já correu todos os homens de Lisboa e arredores. Está com mais rodagem do que a Elsa Raposo. Eu até nem gosto de ser vista com ela!
M2 - Já na Raquel o divórcio teve o efeito contrário: a vida dela agora é casa-trabalho-casa. Deve haver freiras com uma vida bem mais movimentada do que ela.
M1 - Bem parva que está a ser. Para que lhe vai servir um prémio de santidade? Devia era aproveitar!
sábado, 24 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
sobem os termómetros e as dúvidas recaem sobre mim
Quando os jornalistas exultam ao anunciar a previsão de temperaturas superiores a 35 graus terão o ar condicionado, do local onde estão a trabalhar, regulado para quantos graus?
Gostava de saber... assim, só por curiosidade....
quarta-feira, 21 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
das viagens e dos viajantes
As pessoas que gostam mesmo de viajar são as que apreciam todos os momentos, não têm receio de se misturarem com os povos que visitam, usufruem dos cheiros, apreciam os sabores e não passam o tempo a fazer comparações com o país ou a cidade em que vivem.
Não conheço um único verdadeiro viajante, daqueles que já palmilhou desde a Nova Zelândia até à Islândia, que transporte toneladas de bagagem pela mera preocupação de levar sapatos e carteira a fazer pendant ou para garantir que a cor de cada t-shirt é a mais indicada para as calças que vai vestir nesse dia.
Com essa preocupação de guarda-roupa apenas conheço alguns coleccionadores de viagens, daqueles que escolhem os destinos da moda ou a pensar nas crises de invejite que poderão provocar. São os mesmos que ficam com pouco tempo para desfrutar das pequenas coisas porque andam atarefados a fazer compras ou a escolher as melhores poses para as fotos.
Ainda me falta muito para me poder incluir no primeiro grupo, mas, para meu orgulho, grito aos sete ventos que nunca pertenci ao segundo.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
pode ser que eu me lembre disto antes de me inscrever no nível III...
...estes exames de língua gestual, em Julho, destroem-me os nervos.
domingo, 11 de julho de 2010
há sempre um "se"
Quando algumas pessoas justificam o brio profissional dos outros com o facto de não terem filhos estão, simultaneamente, a justificar o próprio desleixo, certo? É que se não é, parece.
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