domingo, 30 de junho de 2013

Levantado do chão



A narrativa desenvolve-se no Alentejo. 
Apesar de estar a gostar bastante, ando a ler a um ritmo muito lento. 
Isto chama-se coerência.





sexta-feira, 28 de junho de 2013

para que conste

eu nunca, mas mesmo nunca, comi uma bola de berlim na praia.
É um facto que eu sou uma frequentadora muito pouco assídua de praias, mas na verdade não me parece minimamente apelativo comer um bolo frito e gorduroso debaixo de um sol abrasador. Prefiro gelados. Qualquer um. E as bolas de berlim, deixo-as para o inverno, sentada no sofá e com uma mantinha por cima. 




quinta-feira, 27 de junho de 2013

pessoas que têm o imposto de circulação automóvel para pagar, o cartão de cidadão para renovar ou qualquer outra documentação para tratar

não sabiam que hoje, 27 de junho, era dia de greve geral? 


hipótese 1 - Sim, sabia, mas tentei a sorte... podia ser que aquele serviço estivesse a funcionar.... houve uma colega que disse que sim... não estava à espera de estar fechado...
Pois, podia. Mas também podia estar encerrado, então qual é a surpresa?


hipótese 2 - Não, não sabia. Não costumo ver os noticiários.
Se se autoexclui da informação, também de está a excluir de todo e qualquer serviço. Perde o direito a refilar.

hipótese 3 - Sim, sabia. Mas vim ver se este serviço estava a funcionar. Vim lá da minha aldeia, fiz 60 kms para nada.
É fácil perceber: queria correr o risco de não ser atendido, pois não podia perder esta oportunidade de dizer que o país não avança porque ninguém quer trabalhar. Já ganhou o dia.

hipótese 4 - Fiz greve e vim tratar destes papéis. Agora não sei quando é que poderei resolver isto...
Ah! Eu tenho direito à greve, mas tu não tens!







segunda-feira, 24 de junho de 2013

domingo, 23 de junho de 2013

como emagrecer sem privar-se de nada



Apenas é necessário deixar de consumir:
- arroz, massas, batatas, pão, manteiga, doces, petiscos, vinho, cerveja, muitos frutos, alguns legumes, bolos, chocolates, gelados, fritos, cereais... 
Ora, não me lixem. Onde é que ficou aquela parte do "sem privar-se de nada"?





quinta-feira, 20 de junho de 2013

dia 1


Objetivo para o primeiro dia de dieta:

. comer tudo o que existe cá em casa para poder comprar apenas alimentos pouco calóricos.




segunda-feira, 17 de junho de 2013

em greve

Toda a gente fala da greve dos professores e ninguém se espanta com o óbvio:

- Então os professores não estão já de férias?!?

Como toda a gente sabe, os professores entram de férias assim que os alunos terminam as aulas, o que já aconteceu. Como toda a gente sabe, têm três meses de férias para poderem viajar por locais exóticos, gastando os  ordenados que, como toda a gente sabe, são bastante chorudos. Como toda a gente sabe, é uma profissão com muitas regalias, muita estabilidade e tranquilidade; esta greve deve ser apenas uma tentativa de dar alguma emoção à monotonia dos seus dias.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

oito horas e meia em nomes


conversa. irritação. teatro. diversão. queda. preocupação. hesitação. tentativa. decisão. incompreensão. exasperação. estupefação. descrença. cansaço. persistência.

Santo António em verbos


estacionar.comer. beber. conversar. andar. dançar. cantar. rir. dormir. descansar. preguiçar.


domingo, 2 de junho de 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Planos para o fim de semana:




Cansar-me. Cansar-me muito. Cansar-me tanto fisicamente, que me veja obrigada a libertar-me do cansaço mental que me acompanha há semanas.





sexta-feira, 24 de maio de 2013

provavelmente, uma boa ideia para seguir


"Os Abokowo penduram-se nas árvores para amadurecer. Sabem que isso acontece aos frutos e que estes ficam doces. Por isso fazem o mesmo, acreditando que, por se portarem como frutos, amadurecem também, tornando-se naturalmente mais doces nos seus relacionamentos. Não é raro ver um Abokowo pendurado numa árvore depois de ter tido uma discussão mais violenta."



Afonso Cruz, Enciclopédia da Estória Universal - Arquivos de Dresner

:)


"Certos livros são as piores humilhações, são a braguilha aberta da alma."

Afonso Cruz, Enciclopédia da Estória Universal - Arquivos de Dresner

sexta-feira, 5 de abril de 2013

E quem disse que coerência é fundamental?


Sinto-me sem um pingo de energia e estou de tal forma exausta que até tenho vontade de ir jantar fora e fazer uma noitada. 



segunda-feira, 4 de março de 2013

sessão dupla

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

arrependimentos


Nunca percebi por que razão muitas pessoas afirmam que só se arrependem daquilo que não fazem. Eu funciono exatamente ao contrário. Embora não seja muito dada a arrependimentos, quando me arrependo é daquilo que faço e quando as consequências não me são favoráveis. Não compreendo por que razão me iria arrepender do que não faço e cujas consequências e resultados apenas pertencem à minha imaginação. Deve ser problema meu, que sou mais dada ao palpável, mensurável e real do que ao mundo das hipóteses.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

that's what friends are for?!


Aos 30 anos, tal como aos 15, há mulheres que, apesar de se estarem nas tintas para o mar e tudo o que lhe diga respeito, continuam a ficar fascinadas por um tipo porque "ele pratica surf, sabes?". Ou que são duríssimas de ouvido, mas que se derretem com um fulano qualquer porque "Opá! Sabes que ele é baterista num grupo de hard rock?" Sim... sim... sei isso tudo, já mo disseram várias vezes. Aliás, parece que, respetivamente, isso é tudo o que há a dizer. 
Perante todo este fascínio, desatam a considerar que uma sms por semana ou um like no facebook são a constatação de que ele também está interessado. Depois, como se não houvesse aqui já muitas semelhanças com comportamentos adolescentes, ainda há as súbitas  e intensas amizades com as pessoas que lhes dão informações e relatórios completos sobre todos os passos diários do fruto de tanto amor.
Aos 30, tal como aos 15, não consigo manter os meus níveis de interesse e entusiasmo muito elevados e, rapidamente, deixo de ser procurada para servir de público no relato dos (não) desenvolvimentos e torno-me numa pessoa muito pouco popular.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

o são Valentim já não é o que era



Na década de 80 e inícios de 90, os apaixonados adolescentes partiam o mealheiro, faltavam a uma aula e iam, às escondidas dos pais, comprar um urso de peluche ou outra prendinha igualmente pirosa para oferecer à sua paixão. Hoje, pedem aos pais que os levem ao centro comercial e que lhes comprem um perfume ou um relógio da marca X ou Y para oferecer.
Podem dizer-me que tem vantagens e que, atualmente, os pais são mais compreensivos, acompanham mais os filhos e blá blá blá... Pode até ser, mas tem muito menos piada.




segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

31 de dezembro - dia de balança


Confirma-se: atingi o meu recorde pessoal. 
Nunca antes tinha estado tão gorda pesada.






quarta-feira, 10 de outubro de 2012

eu percebo imenso de moda


Hoje vim para casa muito feliz com uma pulseira giríssima que comprei. Já em casa, no momento de deitar fora o recibo da compra, percebi que afinal comprei um elástico para o cabelo.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

2 em 1



Se uma pessoa resolve ultrapassar a barreira da relação meramente profissional para fazer de mim sua confidente de assuntos pessoais, mas, seguindo a sua filosofia tácita de vale tudo para conseguir ascender, me tenta passar rasteiras, quando volta a ter necessidade de fazer desabafos pessoais não pode achar estranho que deste lado não encontre ombro e tempo disponíveis. Lamento, mas não sou muito boa a fazer essas separações.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

página 191


Toda a gente sabe que o primeiro parágrafo de um livro é considerado decisivo por leitores e escritores. Toda a gente sabe que essas primeiras palavras são pensadas exaustivamente e têm o objetivo de conquistar. Eu também as leio antes de comprar ou decidir ler um livro, mas, normalmente, apenas depois abrir umas páginas ao acaso e ler uns parágrafos em dois ou três pontos diferentes.
Foi um destes acasos que me fez abrir este livro, de uma escritora que ainda não conhecia, exatamente na página que tinha este conto:



Tentar Aprender

Estou a tentar aprender que este homem alegre que se mete comigo é o mesmo homem sério que me fala de dinheiro com tanta seriedade que deixa até de conseguir ver-me, e esse homem paciente, que me aconselha em situações difíceis, e esse homem furioso que bate com a porta quando sai de casa. Desejei muitas vezes que o homem alegre fosse mais sério, e que o homem sério fosse menos sério, e que o homem paciente fosse menos alegre. Quanto ao homem furioso, parece-me um estranho e não creio que detestá-lo seja uma injustiça. Agora estou a aprender que, se digo alguma coisa desagradável ao homem  furioso quando ele sai porta fora, estou a ofender, nesse mesmo momento, os homem sério que fala de dinheiro e o homem paciente que me aconselha. Mas olho, por exemplo, para o homem paciente, que acima de tudo eu gostaria de proteger de palavras tão desagradáveis como as minhas, e, embora diga de mim para mim que ele é o mesmo homem que os outros, tudo o que posso é crer que não foi a ele que eu disse essas palavras, mas a outro, meu inimigo, que mereceu todo o meu furor.
Lydia Davis, Contos Completos, Relógio d'Água

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

meu querido mês de agosto

casa pintada e remodelada;
dois trabalhos da faculdade (os últimos!) concluídos (num deles falta um toque final);
várias novas receitas testadas e aprovadas;
quase uma semana passada "na terra" com a mãe;
alguns passeios a dois: uns dias em Madrid, fins de semana no Bussaco e em Castelo de Vide;
alguns restaurantes novos descobertos;
cinco livros lidos;
alguns filmes e episódios avulsos de séries (que não acompanho) vistos;
algumas horas de descanso;
dois quilos perdidos.

Não sendo as férias que eu tinha idealizado durante alguns meses, foram as possíveis e, no essencial,  cumpriram o seu papel.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

muito menos caricaturado do que possa parecer

                                                                              daqui

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

dúvidas que me apoquentam após uma tarde no shopping



- por que razão é impossível encontrar um fato de banho que não tenha sido desenhado para uma mulher pós-menopáusica ou uma artista de circo?
- porque é que a mulheres andam desenfreadamente a comprar roupa e calçado que só poderão usar em novembro?
- por que razão os homens ou moçoilos que não entram nas lojas de roupa optam por  esperar à porta, com ar de cachorrinhos, em vez de se  irem ocupar noutra coisa que não os faça parecer tão idiotas?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

o tecto perdeu o c, mas continua a dar estatuto



Uma pessoa paga uma mensalidade num ginásio e, de vez em quando, vai lá fazer umas horas de passadeira. É cool, fashion e outras coisas que não me ocorrem. Se garantir que, apesar de pagar, passa muito tempo sem por lá os pés ainda sobe mais na consideração de quem a ouve e é idolatrada.
Uma pessoa usa a via pedonal, ao ar livre e de acesso gratuito, da sua área de residência para caminhar. É uma bimba matrafona.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

mudam-se os tempos e os locais, mantêm-se as vontades


A minha infância e adolescência foram passadas numa vila, onde tudo o que se fazia era controlado e criticado por um grupo de pessoas (velhas e menos velhas) que não tinha mais que fazer. Criticava-se o comprimento da saia da Maria, o penteado da Joana, os quilos de carne de porco que a vizinha do lado comprava para o marido, o tempo que a Adélia passava no café, o carrão que os vizinhos da frente tinham comprado, as gargalhadas da Adelina, o mau humor do Manel e muito mais. Sempre estive convencida de que este interesse pela vida alheia e esse deixar-se irritar pelo que os outros vestem, compram e fazem da sua vida era o reflexo de vidas muito vazias, numa terra com pouca oferta em termos de entretenimento e que era uma forma de passar o tempo. Mas eis que surgiram os blogues e vejo pessoas com vidas ativas, (supostamente) preenchidas e  que têm, certamente, muito com que se ocupar, ficarem incomodadas com as alças de soutien que se veem debaixo do top de algumas mulheres,  com as calças justas que alguns homens vestem, com as unhas de gel que dão um ar pimba, com o facto de as pessoas gordas também andarem na rua, e até nas praias, e a lista poderia continuar. E se no primeiro caso percebo que a maledicência fosse uma forma de ocupação no segundo não lhe encontro qualquer justificação e considero-a uma perda de tempo. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

achadores


Há pessoas com quem nos cruzamos na escadaria do prédio, no metro ou na cafetaria da esquina que acham que sim senhor, o governo faz muito bem em despedir professores e que aumentar o número de alunos por turma, eliminar disciplinas e ofertas formativas são ideias muito boas porque “quando eles querem aprender, aprendem”. São pessoas que também consideram... Não, não consideram. Acham. Estas pessoas, geralmente, acham tudo.  São pessoas que acham que fechar serviços de urgências também não faz mal nenhum, porque há muitos serviços de urgências a funcionar.  E, cá para mim, no seu íntimo devem pensar que se alguém morrer antes de conseguir ser atendido pode ser um funcionário público, um desempregado ou um velho reformado  (já se sabe que as pessoas que trabalham não têm tempo para essas coisas) e sempre é menos um ordenado, subsídio ou reforma a pagar. E eu ando a ficar mesmo muito triste. Porque do governo eu não espero nada há muito tempo, mas das pessoas que todos os dias se esforçam para fazer alguma coisa e que vivem do seu trabalho, sem cunhas e benesses, esperava muito mais.