Gostava que em português também houvesse verbos que fizessem, facilmente, a distinção entre "discuter" e "se disputer".
Dessa forma eu compreenderia melhor de que é que as pessoas falam quando dizem que discutir é saudável, o sal das relações, etc...
Se se trata de "discuter", concordo. Caso contrário, não consigo perceber* o interesse em "se disputer" com pessoas a quem se quer bem...
*nem me submeteria jamais a isso (espero!)
segunda-feira, 30 de junho de 2014
sexta-feira, 27 de junho de 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
tempo é sempre tempo
O tempo (livre) de umas pessoas não é mais importante do que o tempo (livre) das outras.
Todos poderemos ter as nossas opiniões e tecer considerações sobre as atividades extremamente interesses ou socialmente relevantes que alguns desenvolvem no pouco tempo (livre) que têm. Poderemos pensar que outros desperdiçam o tempo em banalidades inconsequentes ou, pior, com consequências negativas. Seja como for. Tempo é sempre tempo. Cada um usa o seu como lhe aprouver. E não. Ninguém tem o direito de decidir sobre o tempo (livre) dos outros.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
(quase) descalça na sapataria
- tempo despendido na tarefa de escolher e comprar uns sapatos:
exatamente o mesmo tempo que demoraram a fazer um "prego com tudo" na Portugália.
- critério de seleção:
modelo cujo exemplar exposto fosse do número
37 ou 38 (dependendo do formato).
- motivo da compra:
Descalça passou de nome a adjetivo no
local de trabalho.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
quinta-feira, 12 de junho de 2014
verbo do dia: sant'antonicar
eu sant'antonico
tu sant'antonicas
ele sant'antonica
nós sant'antonicamos
vós sant'antonicais
eles sant'antonicam
tu sant'antonicas
ele sant'antonica
nós sant'antonicamos
vós sant'antonicais
eles sant'antonicam
sexta-feira, 30 de maio de 2014
motivação externa
De acordo com as notícias de ontem, apenas 4% das suecas e norueguesas têm excesso de peso, contra os nossos 27%. Ou seja, 96% são, provavelmente, "gajas boas". Tenho, por isso, dois meses para me pôr fina, que eu não quero ir para lá fazer má figura.
Saladinhas e passadeira, vinde a mim!
sexta-feira, 23 de maio de 2014
a mesma tarde, duas versões
versão nerd:
Saí do trabalho. Fui à biblioteca para devolver uns livros dos quais já fiz apontamentos e requisitar outros com o mesmo objetivo. Comi qualquer coisa rápida e dirigi-me para casa, onde me dediquei ao desenvolvimento do meu projeto de doutoramento.
versão trendy:
Saí do trabalho. Resolvi uns assuntos pendentes e em seguida fui ao Mercado de Campo de Ourique petiscar e beber sangria de frutos silvestres. Arruinei a minha dieta! Fiz umas fotos giras que ainda não coloquei no instagram. Quando voltei para casa, sentei-me em frente do meu MacBook Air.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
autoconhecimento
Eu sou extremamente consciente dos meus pontos fracos e das minhas limitações.
Ao contrário do que possa parecer, raramente isto é uma qualidade.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
O que é preciso, a partir de hoje, para dar aulas
... era o título de um artigo na Visão.
Muita paciência! - foi a minha mais rápida e honesta resposta.
eu também tenho muito interesse no jogo desta noite...
... preciso de ir ao supermercado e tenho pouco tempo para desperdiçar.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
talvez pela primeira vez
Apercebi-me que hoje quase não me senti constrangida quando a mãe de um adolescente me disse aquilo que mais ouço estas mães dizerem sobre os seus filhos: "Já não sei o que lhe hei de fazer."
Quando este comentário se torna banal é preocupante.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
empreendedorismofóbica
Pelas razões que nós bem sabemos, nos últimos tempos, muitas colegas e conhecidas descobriram talentos escondidos e desataram a costurar, bordar e tricotar, ou a vender para uma ou várias marcas de cosméticos. Nada contra. Ou melhor, quase nada. A parte que me começa a incomodar é que se tornou impossível tomar um café ou ir à casa de banho sem que me tentem impingir um pano de cozinha com umas rendinhas muito catitas, um saquinho bordado para guardar não sei o quê, uma máscara de pestanas ou um gel de banho. E muitas delas estão de tal forma embrenhadas no papel de empresárias que desenvolveram técnicas de marketing agressivo e pouca capacidade de aceitar uma recusa, mesmo quando lhes é explicado que na minha família sou, provavelmente, o único elemento do género feminino que não tem mãos de fada para os labores, pelo que não me faltam prendas de todos os modelos e feitios, ou que o creme exfoliante que já lhes comprei ainda nem começou a ser usado.
É que eu, que não tenho mais talentos, também vivo em Portugal e não posso gastar o que ainda não me cortaram do ordenado a comprar tudo aquilo que me queiram vender.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
No dia em que se fala da morte do autor dos "Cem anos de solidão",
All-But-Dissertation (ABD)
"There is no cleaner, better organized apartment than that of a dissertation candidate..."
(Cone &Foster, 1998, p. 54)
quinta-feira, 17 de abril de 2014
a queda de um mito
Tendo em conta a multiplicação de cabelos brancos que se vislumbram na minha cabeça, quase me convenço de que aquela conversa de nascerem sete cabelos brancos por cada um que se arranca afinal não é um mito.
Sim, eu sei que não devo arrancar os cabelos brancos, mas cada um tem os seus hobbies.
domingo, 6 de abril de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
studies show
Se continuar a ler única, exclusiva e intensamente estudos, corro o sério risco de começar a falar como a Dra. Isles.
quarta-feira, 5 de março de 2014
vira o disco e toca o mesmo
Lava roupa. Estende roupa. Recolhe roupa. Dobra roupa. Arruma roupa.
Quase tenho saudades dos dias de chuva.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
salsichas frescas de aves, com sal e pimenta, em cama de azeite e cebolas
vai ao forno 30 ou 40 minutos e já está!
Bom apetite.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
diz que é uma espécie de férias
Dezoito horas (18!) sentada em frente do computador a reler, definir, limar as últimas arestas para poder entregar os derradeiros três trabalhos do semestre. Tudo lido, relido e confirmado. Foi preciso enviar e desligar o computador para me lembrar, assim do nada, que me faltava acrescentar uma referência bibliográfica. Consegui enviar um documento novo, vá lá... Estou a esforçar-me para não pensar mais nisto e não me lembrar de mais algum pormenor, mas, caramba, não consigo desligar!
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
a minha opinião é melhor do que a tua
Eu costumava sentir algum desprezo por pessoas que não gostam de ler ou são pouco conhecedoras da língua portuguesa. Depois cresci. Cresci e percebi que o mundo se estende para lá do meu umbigo e que não me pareceria muito correto também eu ser merecedora de desprezo por não ser uma praticante regular de desporto, e quando o pratico fazê-lo com dois pés esquerdos; por ter como principal critério na escolha de uma refeição o fator "vontade" e não "índice nutricional" e/ou "índice calórico"; por ter tendência a alterar as regras dos jogos de tabuleiro, de forma a torná-los mais rápidos; por adormecer a ver o Matrix. Por.... por... por...
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
insistir... é preciso insistir
Há umas semanas, decidi tomar um suplemento para estimular a concentração e a memória. Aparentemente, sem grande resultado: já fui três vezes à cozinha beber água e de todas as vezes me esqueci de tomar o comprimido. Sinto o estômago cheio e continuo com o cérebro vazio.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
descalça + google translate = best friends forever!
Encontrei, finalmente, o texto completo de um artigo muito recente que me interessa para um trabalho que estou a fazer. Fiquei radiante! Fiz o download do pdf...
... em persa...
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Saramago, o grande cientista
Eu percebo que não se concorde com as regras e imposições estruturais de um artigo ou trabalho científico, mas usar como argumento o facto de Saramago escrever parágrafos longos e não cumprir as regras convencionais da escrita parece-me desonestidade intelectual ou, ainda mais grave, estupidez natural.
sábado, 25 de janeiro de 2014
ideia para start-up
Bibliotecas com serviço de entrega rápida ao domicílio, para estudantes que não querem despir o pijama e o roupão.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Perguntar não ofende
Essa mania de toda a gente dizer que está gorda e que (ó, coitada!) não pode comer isto e (ó, infeliz!) não pode beber aquilo, serve exatamente para quê?
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
abaixo de totó
Passei o fim de semana a ler (além de alguns artigos) uma espécie de "Estatística aplicada às Ciências Sociais para Totós". Continuo sem perceber.
Utilizei os meus parcos conhecimentos, analisei probabilidades, fiz umas médias e resolvi desinvestir nesse trabalho e investir nos restantes da mesma disciplina.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
dúvida estratégica de 2ª à noite
Depois de um fim de semana em que quase todos os planos me saíram furados e de uma segunda-feira que já anunciou o início de uma semana pouco simpática, não sei se me hei de dedicar à depressão e a viver a intensidade da tristeza ou se me faça de forte e valente e me dedique ao trabalho na expetativa de terminar o dia com alguma sensação de satisfação. Seja qual for o caminho a seguir, vou acompanhá-lo de uma taça de Häagen-Dazs; uma pessoa tem de iniciar a tomada de decisões pelos aspetos mais importantes.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
1º balanço
Eu tomo novas resoluções (ou uma renovação das mesmas, para ser mais precisa)
praticamente todas as segundas-feiras. Algumas semanas até me dou ao luxo de
ter resoluções de 4ª ou de 6ª feira. Normalmente andam à volta da mesma coisa:
fazer uma melhor gestão do tempo, não me dispersar, não procrastinar, comer
(menos e) melhor, fazer mais exercício.
Fazer uma boa gestão do tempo, já disse? Pois, isso é importante: fazer uma boa
gestão do tempo.
De vez em quando, num acesso de loucura, decido que também
devo dar mais oportunidades às pessoas, conviver mais no local de trabalho, ser
mais fofinha... Foi dentro desta última linha que decidi agir ontem e
desperdicei completamente uma hora de almoço que me teria servido para trabalhar,
libertando-me uma hora em casa para outras atividades.
Esta semana já não me deixo levar pelas boas intenções mais
vez nenhuma... talvez na próxima segunda-feira.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
facebook, o evangelizador
Durante a minha infância e adolescência, não tive uma educação para o que agora se designa de educação para o otimismo, para a felicidade e outras coisas positivas. Fui educada para o trabalho, o esforço, a seriedade, a responsabilidade, o rigor e outras características e valores que nos remetem imediatamente para caras carrancudas e azedas.
Não havia nessa forma de educação qualquer fundamento religioso ou uma linha pedagógica, era apenas uma forma de ser e de se estar na vida. Brincadeiras, gargalhadas, diversão? Também aconteciam, pois claro. Imediatamente seguidas de um alerta: cuidado! tanta galhofa hoje, deve estar quase a acontecer alguma coisa!! Animais? Nem pensar! Sujam a casa. Brinquedos espalhados pelo chão? Nunca! A casa tem de estar sempre impecável! Palavras amorosas? Para quê? A vida não é assim.
Felizmente, saí de casa antes de ter perdido todo e qualquer resquício de sentido de humor e a capacidade de me rir de mim e de alguns percalços da vida. A tempo de saber que a melhor forma de encarar a vida é com leveza. Que o copo não está sempre meio vazio.
Saí a tempo e nunca desisti de "evangelizar" a minha mãe. A vida não é só trabalho, obrigações, dever. Nunca me pareceu que estivesse a conseguir provocar grandes alterações e eis que, vindo do nada, o facebook revela-me uma mãe que partilha fotos pirosas de animaizinhos fofinhos e repletas de frases piegas. Revela-me uma mãe que acha piada às gracinhas das crianças e que fica maravilhada com paisagens e dizeres espirituosos. Podias ter chegado mais cedo, facebook.
sábado, 21 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
fazer às três pancadas para mais tarde corrigir: vantagens e desvantagens
vantagens:
- aproveitam-se as ideias do momento;
- não fica tudo por fazer;
- dá uma sensação de alguma tranquilidade
desvantagens:
- a sensação de andar a arrastar o tema/trabalho muito tempo começa a enjoar;
- não apetece melhorar o que já está feito;
- a sensação de tranquilidade pode provocar procrastinação
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
pergunta retórica
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
o corpo é que paga
Quando estou cansada, mesmo muito cansada, num estado de exaustão generalizado, não consigo descansar e tenho tendência a querer ir para a rambóia, para evitar o desgaste de querer descansar e não conseguir.
Quando tenho muito, mas mesmo muito, trabalho para fazer, tenho tendência para não me conseguir focar numa tarefa de cada vez e acabo por desperdiçar imenso tempo a pensar que tenho tanto trabalho e pouco tempo.
Em ambas as situações, o cansaço e/ou o trabalho aumenta, provocando mais uma intensificação dos sintomas anteriores.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
os professores, esses malandros, pá!
Para o tipo que exerce o cargo de ministro da educação e da cultura, aparentemente, é muito importante que qualquer candidato a professor - seja do 1º ciclo, de Inglês do 2º ciclo ou de Português do secundário - consiga fazer contas à vida e decidir onde comprar o mesmo produto de forma mais económica. Não deixa de fazer sentido. O ordenado, sobretudo o dos contratados, é baixo e novos cortes são anunciados e aplicados quase diariamente, é bom que as pessoas saibam aproveitar os descontos e tal..., mas, já agora e aproveitando que deve ter muitos amigos que ganham a vida a elaborar exames, não seria despropositado que, antes de serem convidados para tão nobre tarefas, os membros do governo e todos os gestores públicos também fizessem uns exames desse género. Podia ser que se evitassem tantos buracos e falências para nós pagarmos.
Exercício da prova-modelo:
Um indivíduo pretende comprar uma máquina fotográfica. Fez uma prospeção de mercado e encontrou a máquina que procurava em duas lojas, com preços diferentes.
Loja X: O preço da máquina é 120 €, acrescido de uma taxa de 10%.
Loja Y: O preço da máquina é 180 €, mas sobre esse valor aplica-se uma promoção de 30%. A escolha da loja será feita em função do preço mais baixo.
9. O indivíduo irá comprar o artigo
(A) na loja X, porque irá pagar menos 6 € do que na loja Y.
(B) na loja Y, porque irá pagar menos 6 € do que na loja X.
(C) na loja X, porque irá pagar menos 40% do que na loja Y.
(D) na loja Y, porque irá pagar menos 20% do que na loja X.
continuação
Exercício da prova-modelo:
Um indivíduo pretende comprar uma máquina fotográfica. Fez uma prospeção de mercado e encontrou a máquina que procurava em duas lojas, com preços diferentes.
Loja X: O preço da máquina é 120 €, acrescido de uma taxa de 10%.
Loja Y: O preço da máquina é 180 €, mas sobre esse valor aplica-se uma promoção de 30%. A escolha da loja será feita em função do preço mais baixo.
9. O indivíduo irá comprar o artigo
(A) na loja X, porque irá pagar menos 6 € do que na loja Y.
(B) na loja Y, porque irá pagar menos 6 € do que na loja X.
(C) na loja X, porque irá pagar menos 40% do que na loja Y.
(D) na loja Y, porque irá pagar menos 20% do que na loja X.
continuação
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Aprendi hoje (e não gostei)
que fazer parte de um projeto financiado, como investigador, consultor ou qualquer outra designação pomposa, é mais uma daquelas coisas que depende menos do reconhecimento do mérito do que da oportunidade.
Trata-se agora de aproveitar a oportunidade para mostrar o mérito.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
poupadinhos até à exaustão
Se calhar não usavam o verbo "poupar", mas na prática era isso que faziam. Não se faziam despesas que não eram planeadas; reaproveitava-se tudo o que era possível, recorrendo a maior ou menor imaginação; roupa velha transformava-se em nova; nunca havia alimentos fora da validade ou desperdiçados; pensava-se em ter "um pé de meia" para alguma eventualidade... Penso que não usavam o verbo "poupar", mas era isso o que fazia a minha mãe e que já tinha feito a mãe dela. Foi assim que eu cresci. E nunca pensei em fazer férias a crédito, comprar um computador a prestações ou gastar um ordenado numa mala. Mesmo contrariando os estudiosos que dizem que as crianças que não receberam mesada terão dificuldades em ser adultos que sabem gerir adequadamente um orçamento familiar, segui, de forma menos rigorosa, é certo, aquilo que me habituei a ver. No entanto, não sei se por causa disso ou se apesar disso, já não suporto a imensidão de especialistas na arte de poupar que pululam pelos jornais, livros, programas televisivos e de rádio... Aborrecem-me até ao tutano as pessoas que, à hora do almoço ou num insuspeito cafezinho, me querem dar endereços de sites e blogues dedicados a poupanças, que colecionam folhetos, vales e cupões, que gastam horas a pesquisar ao pormenor como conseguirão comprar 8937346 pacotes de guardanapos pelo preço de 167348, que, na ânsia de "poupar", acumulam 10374 embalagens de um detergente para a máquina de lavar loiça, embora ainda nem tenham comprado a máquina, ou 9834747 pacotes de fraldas para as primeiras crises de incontinência que esperam ter apenas daqui a 50 anos.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
novas oportunidades - contracorrente
Por
uma ou outra razão, volta e meia lá aparecem uns artigos, comentários, opiniões
ou meros bitaites sobre os programas de educação e formação de adultos,
normalmente referindo-se às famigeradas novas oportunidades.
Muitas
vezes leio ou ouço as críticas e não digo nada. Afinal toda a gente sabe que
era “uma palhaçada”, que “se davam certificados apenas por contar a história de
vida”, que era “um embuste em que se engavam os formandos e os formadores
ganhavam uns trocos sem fazer nenhum”.
Às
vezes chego a pensar que se toda a gente sabe isso tudo, eu é que estarei
errada e a experiência que eu tive durante 18 meses foi um caso isolado. Ou se
calhar não foi um caso isolado, mas quem fala muito sobre o assunto até o faz
de cor, baseado na ideia negativa que se criou. A experiência que eu, como mediadora de um
curso de educação e formação de adultos, tive faz-me saber o seguinte:
- não
foram 2 ou 3 meses e apenas meia dúzia de aulas, foram 18 meses com aulas diárias
entre as 19h00 e as 23h30.
- é
verdade que se escreveu uma autobiografia, se refletiu sobre as aprendizagens e
experiências realizadas ao longo da vida e a forma como as mesmas contribuíram
para aquisição ou desenvolvimento de competências;
-
mas também se traçaram objetivos e se definiram estratégias para os alcançar;
- incrementou-se o hábito de ler jornais e de comentar
criticamente as notícias da atualidade, a nível económico, político e social;
- leram-se
obras de referência da literatura portuguesa e estrangeira;
- também
se discutiu cinema, após o visionamento em casa ou na escola.
- discutiram-se
leis fundamentais no dia-a-dia como cidadãos: código do trabalho, lei do
arrendamento, entre outras;
- simularam-se
operações bancárias: empréstimos, depósitos, aplicações financeiras.
Discutiram-se as vantagens e desvantagens, explorou-se a terminologia bancária;
- realizaram-se
visitas de estudo. Alguns formandos visitaram, pela primeira vez, um museu e
conseguiram apreciar uma obra de arte;
-
organizaram-se encontros e fóruns temáticos, para os quais se convidaram
especialistas em vários domínios do conhecimento;
-
efetuaram-se as diligências necessárias para organizar acontecimentos
informativos e culturais, abertos à comunidade local, etc.
-
...
Em
suma, foram dezoito meses em que se promoveu a discussão de ideias e em que os
formandos se consciencializaram da importância do conhecimento e da informação.
Naturalmente,
nem todos os formandos mostraram o mesmo empenho. Nada que seja estranho ao
ensino regular ou a qualquer ambiente profissional. Mas o balanço foi bastante
positivo e em nada se enquadra nos comentários depreciativos que por aí pululam
sobre as novas oportunidades.
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