sexta-feira, 5 de abril de 2013
E quem disse que coerência é fundamental?
Sinto-me sem um pingo de energia e estou de tal forma exausta que até tenho vontade de ir jantar fora e fazer uma noitada.
segunda-feira, 4 de março de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
arrependimentos
Nunca percebi por que razão muitas pessoas afirmam que só se arrependem daquilo que não fazem. Eu funciono exatamente ao contrário. Embora não seja muito dada a arrependimentos, quando me arrependo é daquilo que faço e quando as consequências não me são favoráveis. Não compreendo por que razão me iria arrepender do que não faço e cujas consequências e resultados apenas pertencem à minha imaginação. Deve ser problema meu, que sou mais dada ao palpável, mensurável e real do que ao mundo das hipóteses.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
that's what friends are for?!
Aos 30 anos, tal como aos 15, há mulheres que, apesar de se estarem nas tintas para o mar e tudo o que lhe diga respeito, continuam a ficar fascinadas por um tipo porque "ele pratica surf, sabes?". Ou que são duríssimas de ouvido, mas que se derretem com um fulano qualquer porque "Opá! Sabes que ele é baterista num grupo de hard rock?" Sim... sim... sei isso tudo, já mo disseram várias vezes. Aliás, parece que, respetivamente, isso é tudo o que há a dizer.
Perante todo este fascínio, desatam a considerar que uma sms por semana ou um like no facebook são a constatação de que ele também está interessado. Depois, como se não houvesse aqui já muitas semelhanças com comportamentos adolescentes, ainda há as súbitas e intensas amizades com as pessoas que lhes dão informações e relatórios completos sobre todos os passos diários do fruto de tanto amor.
Aos 30, tal como aos 15, não consigo manter os meus níveis de interesse e entusiasmo muito elevados e, rapidamente, deixo de ser procurada para servir de público no relato dos (não) desenvolvimentos e torno-me numa pessoa muito pouco popular.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
o são Valentim já não é o que era
Na década de 80 e inícios de 90, os apaixonados adolescentes partiam o mealheiro, faltavam a uma aula e iam, às escondidas dos pais, comprar um urso de peluche ou outra prendinha igualmente pirosa para oferecer à sua paixão. Hoje, pedem aos pais que os levem ao centro comercial e que lhes comprem um perfume ou um relógio da marca X ou Y para oferecer.
Podem dizer-me que tem vantagens e que, atualmente, os pais são mais compreensivos, acompanham mais os filhos e blá blá blá... Pode até ser, mas tem muito menos piada.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
eu percebo imenso de moda
Hoje vim para casa muito feliz com uma pulseira giríssima que comprei. Já em casa, no momento de deitar fora o recibo da compra, percebi que afinal comprei um elástico para o cabelo.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
2 em 1
Se uma pessoa resolve ultrapassar a barreira da relação
meramente profissional para fazer de mim sua confidente de assuntos pessoais,
mas, seguindo a sua filosofia tácita de vale tudo para conseguir ascender, me
tenta passar rasteiras, quando volta a ter necessidade de fazer desabafos
pessoais não pode achar estranho que deste lado não encontre ombro e tempo disponíveis.
Lamento, mas não sou muito boa a fazer essas separações.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
página 191
Toda a gente sabe que o primeiro parágrafo de um livro é considerado decisivo por leitores e escritores. Toda a gente sabe que essas primeiras palavras são pensadas exaustivamente e têm o objetivo de conquistar. Eu também as leio antes de comprar ou decidir ler um livro, mas, normalmente, apenas depois abrir umas páginas ao acaso e ler uns parágrafos em dois ou três pontos diferentes.
Foi um destes acasos que me fez abrir este livro, de uma escritora que ainda não conhecia, exatamente na página que tinha este conto:
Tentar Aprender
Estou a tentar aprender que este homem alegre que se mete comigo é o mesmo homem sério que me fala de dinheiro com tanta seriedade que deixa até de conseguir ver-me, e esse homem paciente, que me aconselha em situações difíceis, e esse homem furioso que bate com a porta quando sai de casa. Desejei muitas vezes que o homem alegre fosse mais sério, e que o homem sério fosse menos sério, e que o homem paciente fosse menos alegre. Quanto ao homem furioso, parece-me um estranho e não creio que detestá-lo seja uma injustiça. Agora estou a aprender que, se digo alguma coisa desagradável ao homem furioso quando ele sai porta fora, estou a ofender, nesse mesmo momento, os homem sério que fala de dinheiro e o homem paciente que me aconselha. Mas olho, por exemplo, para o homem paciente, que acima de tudo eu gostaria de proteger de palavras tão desagradáveis como as minhas, e, embora diga de mim para mim que ele é o mesmo homem que os outros, tudo o que posso é crer que não foi a ele que eu disse essas palavras, mas a outro, meu inimigo, que mereceu todo o meu furor.
Lydia Davis, Contos Completos, Relógio d'Água
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
meu querido mês de agosto
casa pintada e remodelada;
dois trabalhos da faculdade (os últimos!) concluídos (num deles falta um toque final);
várias novas receitas testadas e aprovadas;
quase uma semana passada "na terra" com a mãe;
alguns passeios a dois: uns dias em Madrid, fins de semana no Bussaco e em Castelo de Vide;
alguns restaurantes novos descobertos;
cinco livros lidos;
alguns filmes e episódios avulsos de séries (que não acompanho) vistos;
algumas horas de descanso;
dois quilos perdidos.
Não sendo as férias que eu tinha idealizado durante alguns meses, foram as possíveis e, no essencial, cumpriram o seu papel.
dois trabalhos da faculdade (os últimos!) concluídos (num deles falta um toque final);
várias novas receitas testadas e aprovadas;
quase uma semana passada "na terra" com a mãe;
alguns passeios a dois: uns dias em Madrid, fins de semana no Bussaco e em Castelo de Vide;
alguns restaurantes novos descobertos;
cinco livros lidos;
alguns filmes e episódios avulsos de séries (que não acompanho) vistos;
algumas horas de descanso;
dois quilos perdidos.
Não sendo as férias que eu tinha idealizado durante alguns meses, foram as possíveis e, no essencial, cumpriram o seu papel.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
dúvidas que me apoquentam após uma tarde no shopping
- por que razão é impossível
encontrar um fato de banho que não tenha sido desenhado para uma mulher
pós-menopáusica ou uma artista de circo?
- porque é que a mulheres andam
desenfreadamente a comprar roupa e calçado que só poderão usar em novembro?
- por que razão os homens ou
moçoilos que não entram nas lojas de roupa optam por esperar à porta, com ar de
cachorrinhos, em vez de se irem ocupar
noutra coisa que não os faça parecer tão idiotas?
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
o tecto perdeu o c, mas continua a dar estatuto
Uma pessoa paga uma mensalidade num ginásio e, de vez em quando, vai
lá fazer umas horas de passadeira. É cool, fashion e outras coisas que não me
ocorrem. Se garantir que, apesar de pagar, passa muito tempo sem por lá os pés
ainda sobe mais na consideração de quem a ouve e é idolatrada.
Uma pessoa usa a via pedonal, ao ar livre e de acesso gratuito,
da sua área de residência para caminhar. É uma bimba matrafona.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
mudam-se os tempos e os locais, mantêm-se as vontades
A minha infância e adolescência foram passadas numa vila,
onde tudo o que se fazia era controlado e criticado por um grupo de pessoas
(velhas e menos velhas) que não tinha mais que fazer. Criticava-se o
comprimento da saia da Maria, o penteado da Joana, os quilos de carne de porco
que a vizinha do lado comprava para o marido, o tempo que a Adélia passava no
café, o carrão que os vizinhos da frente tinham comprado, as gargalhadas da
Adelina, o mau humor do Manel e muito mais. Sempre estive convencida de que este
interesse pela vida alheia e esse deixar-se irritar pelo que os outros vestem,
compram e fazem da sua vida era o reflexo de vidas muito vazias, numa terra com
pouca oferta em termos de entretenimento e que era uma forma de passar o tempo.
Mas eis que surgiram os blogues e vejo pessoas com vidas ativas, (supostamente)
preenchidas e que têm, certamente, muito
com que se ocupar, ficarem incomodadas com as alças de soutien que se veem
debaixo do top de algumas mulheres, com
as calças justas que alguns homens vestem, com as unhas de gel que dão um ar
pimba, com o facto de as pessoas gordas também andarem na rua, e até nas praias,
e a lista poderia continuar. E se no primeiro caso percebo que a maledicência fosse
uma forma de ocupação no segundo não lhe encontro qualquer justificação e considero-a
uma perda de tempo.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
achadores
Há pessoas com quem nos cruzamos na escadaria do prédio, no
metro ou na cafetaria da esquina que acham que sim senhor, o governo faz muito
bem em despedir professores e que aumentar o número de alunos por turma,
eliminar disciplinas e ofertas formativas são ideias muito boas porque “quando
eles querem aprender, aprendem”. São pessoas que também consideram... Não, não
consideram. Acham. Estas pessoas, geralmente, acham tudo. São pessoas que acham que fechar serviços de
urgências também não faz mal nenhum, porque há muitos serviços de urgências a
funcionar. E, cá para mim, no seu íntimo
devem pensar que se alguém morrer antes de conseguir ser atendido pode ser um
funcionário público, um desempregado ou um velho reformado (já se sabe que as pessoas que trabalham não
têm tempo para essas coisas) e sempre é menos um ordenado, subsídio ou reforma a
pagar. E eu ando a ficar mesmo muito triste. Porque do governo eu não espero
nada há muito tempo, mas das pessoas que todos os dias se esforçam para fazer
alguma coisa e que vivem do seu trabalho, sem cunhas e benesses, esperava muito
mais.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Após várias conversas com alguns (ainda ou novamente) solteiros
As mulheres solteiras afirmam que todos os homens
disponíveis são desinteressantes, feiosos ou uns engatatões de quinta categoria
e que elas merecem muito mais do que isso.
Os homens solteiros dizem que todas as mulheres disponíveis
são fúteis e burras, pãezinhos sem sal ou uns camafeus andantes e que eles
merecem muito mais do que isso.
A minha proposta: revisão dos critérios de auto e de heteroavaliação.
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